Juiz-forano faz estudo sobre canto de pássaro
Há muitos anos, o canto dos pássaros desperta a admiração dos seres humanos. Entretanto, há quem enxergue mais do que somente beleza e estude os comportamentos e as especificidades destes sons. O pesquisador Thiago Amorim, 27 anos, é uma destas pessoas. Desde o ano passado, o biólogo estuda as variações vocálicas do pássaro formigueiro-assobiador, exemplar típico da Mata Atlântica brasileira. O estudo acabou de ser transformado em dissertação, defendida por ele na conclusão do seu mestrado, dentro do programa de Pós-graduação em Ecologia, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF.
Recentemente, durante viagem do autor ao Estados Unidos, a pesquisa foi apresentada na Cornell University (Nova York), que demonstrou interesse em incluir os registros feitos por Thiago em seu acervo oficial. A ida para Nova York foi uma excelente oportunidade para que eu pudesse conhecer outros pesquisadores que desenvolvem trabalhos semelhantes ao meu e aprimorar meus conhecimentos em bioacústica.
O campo
Foram seis meses dentro da mata sozinho, estudando o comportamento destes pássaros, relembra o pesquisador sobre o período no qual foi até a Reserva Biológica Municipal Poço D’Anta. Segundo ele, nas inúmeras visitas, foi adotado um método específico, uma preocupação em registrar o canto do pássaro em diferentes horários e condições climáticas. As idas ocorreram na primeira e terceira semanas de cada mês, sempre das 6h ao meio-dia, e, na segunda e quarta semanas, do meio-dia às 18h. Está foi uma forma que encontramos de tentar abranger o comportamento dos pássaros e verificar as modificações acústicas em diferentes horários e estações do ano. Por exemplo, durante períodos chuvosos, quando o número de folhas é maior, o som sofre maior degradação, explica o pesquisador.
Para colher os dados, o biólogo, que foi orientado pelo professor Artur Andriolo, gravou cantos espontâneos do formigueiro-assobiador, com o auxílio de um gravador digital equipado com um microfone unidirecional. Em um segundo momento, alguns destes cantos foram reproduzidos na mata, e foi observada a reação direta no comportamento das aves, bem como seus cantos de resposta. Em uma planilha, Thiago registrava os parâmetros acústicos, como ritmo, número de notas e frases, frequência, entre outros. Posteriormente, os registros foram reproduzidos em um software especial, que forneceu uma análise precisa do material coletado.
Resultados
Apesar de já haver na literatura específica sobre comportamento de aves dois cantos catalogados, o emitido unicamente pelo macho e o chamado de alarme, quando o território está ameaçado por predadores, o estudioso conseguiu descrever e caracterizar outros quatro tipos de vocalização inéditos. No estudo, foram identificados os chamados de voo, de contato, de corte e para a busca de alimentos, cientificamente chamado de forrageio.
Assim como outras espécies de aves, no caso do formigueiro-assobiador, somente o macho emite a maioria dos piados. As fêmeas se restringem a cantar na companhia do macho, uma forma de dueto, e nunca isolada dele. O canto das fêmeas pode ter as funções de defender sua condição de acasalada, impedindo a entrada de outra fêmea em seu território, atrair seu parceiro e induzi-lo ao acasalamento ou, em algumas situações, atrair outro macho para uma cópula extra. Além disso, fêmeas podem cantar para, assim como machos, defender seus territórios de intrusos que poderiam competir com elas e seus filhos por alimento e, também, afastarem outras fêmeas que estariam buscando uma cópula extra em seus pares.







