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Gangue sofre acidente após perseguição policial no Teixeiras


Por Marcos Araújo

21/09/2013 às 07h00

Carro atingiu residência na Rua Costa Reis, no Bela Aurora

Carro atingiu residência na Rua Costa Reis, no Bela Aurora

Dois fatos registrados pela Polícia Militar nessa sexta-feira (20) evidenciaram a vulnerabilidade a que estão expostos alunos, professores e funcionários das escolas de Juiz de Fora. No primeiro caso, uma ameaça de rixa na porta de um colégio do Bairro Teixeiras, na Zona Sul, mobilizou a Polícia Militar. Houve perseguição a um veículo ocupado por suspeitos de integrarem uma gangue, que acabou invadindo a varanda de uma residência. No outro, uma professora foi agredida com chute por um dos alunos, em uma escola do Bairro Grama, na Zona Nordeste. Na ocorrência do Teixeiras, um veículo ocupado por quatro jovens fugiu do cerco da Polícia Militar. O condutor quase bateu em uma viatura, perdeu o controle direcional e se chocou contra a grade de uma casa, na Rua Costa Reis, no Bela Aurora, na mesma região, no início da tarde. Dos quatro que estavam no Chevette de cor preta, dois eram adolescentes de 14 anos. Segundo informações da PM, a equipe de policiais foi acionada a fim de verificar uma ameaça de rixa na porta da Escola Estadual Marechal Mascarenhas de Moraes, conhecida como Polivalente de Teixeiras. A informação era de que o grupo estava munido de facas e armas de fogo a fim de provocar uma desforra contra três estudantes do colégio. O caso provocou pânico entre moradores da área e deixou a comunidade escolar acuada.

Conforme o tenente Vinícius Araújo, quando os policiais chegaram na porta da escola, os quatro suspeitos entraram no veículo e começaram a fuga pelas ruas do bairro, sendo perseguidos pela viatura. Ao tentar desviar de um caminhão, o condutor bateu com o carro. Ainda segundo o militar, três ocupantes sofreram lesões leves, e o quarto ficou preso no veículo, sendo retirado pelo Corpo de Bombeiros com ferimentos mais graves. Os feridos foram encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). Nenhum morador da residência atingida foi ferido. Ainda de acordo com o tenente, depois de receber o atendimento no HPS, o grupo seria conduzido à delegacia de Santa Terezinha pelos crimes de ameaça, danos e direção perigosa. Até o fechamento desta edição, porém, o caso ainda estava em andamento.

Moradores

A confusão provocada no bairro em função da perseguição deixou os moradores em pânico. "Isso é um absurdo. O morador não pode estar mais tranquilo nem dentro de casa. Essas galeras estão tocando o terror por aqui. Imagina se tivesse alguém na varanda da casa", disse uma dona de casa, 36. Outro morador, 42, afirmou que a população está à mercê da violência. "Eles saíram dirigindo como loucos, colocando a vida de pedestres em risco. O carro subiu no passeio em tempo de atropelar alguém. Não sei onde isso vai parar", desabafou.

 

Comunidade escolar apreensiva

A diretora da Escola Estadual Marechal Mascarenhas de Moraes, Lilian Toledo, informou que, apesar de o Chevette estar parado na frente da instituição de ensino, nenhuma abordagem foi feita contra o colégio e o acionamento da Polícia Militar não foi feito por representantes do Polivalente. Ela também afirmou que não há informações sobre a ligação de alunos com o grupo que esperava do lado de fora. Entretanto, Lilian ressalta que o ocorrido deixa a comunidade escolar apreensiva. "Não sabemos da dimensão desse problema. A princípio não vemos nenhuma ligação com nossos estudantes, mas pode ser alguma desavença que tenha acontecido em algum bairro, e isso vem refletir aqui na escola, já que vivenciamos algumas situações parecidas aqui", lamentou a educadora.

A diretora teme que o caso seja de algum acerto de contas que pode ter sido evitado nessa sexta-feira, mas que possa acabar acontecendo nos próximos dias. "Um policial me informou que pode ter sido uma briga encomendada. Assim, é preciso um reforço no patrulhamento nos arredores, pois contamos com um policiamento esporádico.É necessária a presença da PM com mais frequência, pois estamos contando com a sorte", disse a profissional, acrescentando que, nessa sexta-feira, após o ocorrido, as aulas seguiram normalmente.

Comandante da 32ª Companhia da PM, responsável pelo patrulhamento da Zona Sul, capitão Ricardo Schaffer, afirmou que a ameaça de rixa no portão da escola foi contida porque a PM já vinha monitorando a situação de brigas entre gangue na região. "Estamos identificando os autores desses delitos e empregando patrulhas de prevenção para tratar do problema, mas infelizmente, às vezes, ele ainda acontece, mas ontem (sexta-feira) tivemos uma resposta positiva." Ele defendeu que a Zona Sul já conta com lançamento de policiamento específico no período da noite, nos fins de semana e nos horários de entrada e saída das escolas. "É uma ação contínua, e estamos encaminhando infratores para a Vara da Infância e Juventude e solicitando a prisão preventiva dos maiores envolvidos", ressaltou, afirmando que, devido ao caso dessa sexta-feira, os arredores do Polivalente de Teixeiras vão receber policiamento reforçado e que uma equipe da PM poderá visitar a instituição como forma de tranquilizar a comunidade escolar.

 

Professora leva chutes de aluno

No Bairro Grama, uma professora de 58 anos foi agredida por um aluno de 13, que não teria gostado da maneira como ela falou com ele. O caso foi registrado, no período da manhã, por volta das 7h30, na Escola Municipal Georg Rondenbach. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima, que é professora de educação física, contou que estava dando aula, quando um adolescente começou a provocar outros. Diante dessa atitude, ela chamou a atenção do aluno e o encaminhou para a sala da secretaria. Neste momento, ele passou a agredi-la com chutes nas pernas. A agressão sofrida pela professora foi registrada pelo circuito interno de câmeras da instituição. A PM foi acionada e apreendeu o garoto, que foi levado para a delegacia.

A vítima foi encaminhada para um hospital da rede particular, onde foi medicada e liberada. A Secretaria de Educação da Prefeitura informou que, por meio do Departamento de Apoio ao Estudante, está apurando minuciosamente os fatos junto à professora, ao aluno e sua família, para entender o que aconteceu de fato e para que sejam tomadas todas as providências devidas.