Quase mil motociclistas já passaram pelo HPS
O número de pacientes atendidos no HPS vítimas de acidentes envolvendo motocicletas mais que dobrou nos últimos cinco anos, passando de 420 para 952, na comparação entre os sete primeiros meses de 2008 e igual período deste ano. A estatística revela que quatro motociclistas se envolvem em acidentes diariamente em Juiz de Fora. Os registros de atropelamentos também com envolvimento de motos no mesmo espaço de tempo aumentaram 18,6%, passando de 450 em 2008 para 534 em 2012. Especialistas apontam diversas causas para o problema, como imprudência, falta de experiência de condutores e mau comportamento nas ruas.
A cidade também teve uma explosão na frota de motocicletas nos últimos cinco anos. O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) registrou um aumento de 42,5%, passando de 18.474 para 26.340. Hoje as motos já representam 13% do total de veículos emplacados no município. Além de mais casos, os registros estão cada vez mais graves. Somente este mês, foram cinco mortes de motociclistas nas ruas de Juiz de Fora. Duas delas ocorreram nos últimos dois dias, sendo uma no Jóquei Clube, na Zona Norte, e outra na Avenida Rio Branco. Nesta via, que é a principal da cidade, também aconteceram outras duas mortes na altura do Mergulhão, no dia 3 de agosto. Já no dia 5, uma mulher que estava na garupa de uma Honda CG 125 morreu após ter sido arremessada em uma batida na Rua Bady Geara, no Ipiranga, Zona Sul.
Reflexo na saúde
Segundo o diretor do HPS, Clorivaldo Rocha Correa, o aumento de acidentes não reflete apenas no atendimento hospitalar, mas faz parte de todo um sistema que envolve, entre outros fatores, a previdência social e a recuperação pós-internação. "A gente contribui com uma parte do processo, o atendimento hospitalar. O trauma pode implicar na própria produtividade da vítima, criando demandas que envolvem o auxílio-doença e até aposentadoria. Em relação à população jovem/adulta, esses custos geram impactos maiores." O diretor do HPS ainda destaca que o maior percentual de acidentes é proveniente de colisões contra objetos fixos ou veículos. Dependendo da gravidade, o motociclista pode ficar até cinco meses no CTI e, depois, mais três na enfermaria.
Comportamento
O mau comportamento dos condutores é apontado como um grave problema pelo especialista em transporte e trânsito José Luiz Britto Bastos. "Por exemplo, os motofretistas, por serem muito exigidos, acabam cometendo infrações e perdendo o respeito no trânsito." Outro fator citado é a inexperiência dos iniciantes. "Os motociclistas acabam não dando tanta atenção às regras. Além disso, não há fiscalização efetiva, tanto pessoal como eletrônica." Segundo ele, o caminho para frear esse crescimento das estatísticas é a punição. "Espontaneamente, o motociclista não vai tomar atitude. Campanhas educativas acabam caindo no vazio." Uma ferramenta que vem dando resultados positivos em outras cidades, como Belo Horizonte, são as câmeras nas ruas. "Com elas, podemos saber o que está acontecendo nas vias. Isso auxilia muito o trânsito. É um conjunto de fiscalização com o objetivo de mudar o comportamento."
Para o chefe do Setor de Fiscalização da Settra, Jorge Lima, além do aumento da frota, a imprudência, aliada à velocidade seriam as principais causas desta violência no trânsito. "O número de infrações não repercute necessariamente em notificações infracionais, visto o número de agentes de trânsito e PMs para a fiscalização." Para Lima, a preparação dos novos motociclistas também reflete nas ruas. "A autoescola deveria apontar as situações em que o motociclista é o mais fraco, havendo maior preocupação em fornecer mais informações nesse sentido. O número de aulas deveria ser o dobro para que o aluno pudesse obter experiência."
Imprudência e inexperiência estão entre os problemas
Para o instrutor da autoescola Passos, Alessandro Matos, que já ministrou aulas em motocicletas e carros de passeio, a falha humana é o maior problema, seja pela imprudência ou inexperiência. "As provas deveriam ser mais rigorosas para melhorar o nível dos alunos. Já vi pessoas sendo reprovadas três vezes no exame psicotécnico." Hoje são necessárias 20 aulas práticas e 35 teóricas para o interessado conseguir finalizar o processo. Matos defende que o número de aulas é suficiente. No entanto, ele critica a forma como a avaliação é realizada. "A prova prática ocorre em circuito fechado, não mostrando a realidade das ruas. A motopista revela somente o domínio do veículo. A prova nas ruas serviria para mostrar a tensão no trânsito."
De acordo com o proprietário da autoescola Saep, Sebastião Pires de Camargos, além da imprudência, como excesso de velocidade e ultrapassagens irregulares, o pensamento do motociclista seria um agravante. "A moto mexe com a emoção e com a adrenalina. Isso implica nas infrações." Camargos também concorda que a falta de avaliação nas ruas prejudica o aprendizado. "O exame é severo. O problema é que a pessoa sai com a CNH e se acha competente. É uma questão comportamental."
JF teve mais dois registros de mortes
Por volta das 6h de ontem, um homem de 28 anos não resistiu aos ferimentos causados durante uma queda no Acesso Norte, próximo ao Parque de Exposições, na altura do Bairro Jóquei Clube, Zona Norte. De acordo com informações da Polícia Militar, Flaviano José da Silva Neto conduzia uma moto Honda CG 125, quando o veículo teria se chocado contra o canteiro central da via. A vítima caiu no chão após o impacto e chegou a ser socorrida pelo Resgate, mas faleceu logo após dar entrada no HPS. O corpo foi levado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML).
Já na noite de domingo, outro motociclista, 26, morreu na batida com um ônibus no cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Afonso Pinto da Mota, no Centro. Segundo a PM, Júlio César do Nascimento de Souza guiava uma Yamaha 125 no sentido Bom Pastor/Manoel Honório. Já o coletivo da Viação Ansal seguia na direção oposta e faria a conversão para a Afonso Pinto da Mota quando ocorreu o choque entre os dois veículos, por volta das 19h30. A ocorrência mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu. O óbito foi constatado no local. Peritos da Polícia Civil realizaram levantamentos, e o corpo foi levado para necropsia.








