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Estiagem chega a 40 dias em JF


Por Fernanda Sanglard

21/07/2011 às 07h00

Queimada em área de vegetação no leito da Leopoldina, Zona Leste, ocorreu na última terça-feira

Queimada em área de vegetação no leito da Leopoldina, Zona Leste, ocorreu na última terça-feira

Além de representar maior incidência de doenças respiratórias, o período de tempo seco e frio que caracteriza o inverno é marcado por queimadas e sobrecarga para o Corpo de Bombeiros. A última precipitação considerada significante na cidade foi em 10 de junho, quando choveu dez milímetros, segundo o 5° Distrito de Meteorologia. Já no dia 17 do mês passado, a pluviosidade foi de apenas um milímetro. Com isso, a estiagem já atinge 40 dias, como explica o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Giovanni Dolif. Como a previsão é de que os próximos dias permaneçam com sol e sem chuvas, é importante que a população tome cuidados preventivos (ver quadro).

Conforme o assessor de comunicação do 4° Batalhão de Bombeiros Militar, capitão Marcos Santiago, os meses de julho a setembro são os que têm maior incidência de incêndios em vegetação e lotes vagos em Juiz de Fora. "Nesta época, os chamados aumentam muito, e há dias que chegamos a receber até oito ocorrências ao mesmo tempo, sendo preciso selecionar os atendimentos mais urgentes."

Números dos bombeiros revelam que, em todo o ano de 2010, foram contabilizadas 528 ocorrências dessa natureza, sendo 171 entre janeiro e meados de julho. Este ano, já foram 155 registros até a última terça-feira, e 40 ocorreram só este mês. "É raro acontecer combustão espontânea, e os dados mostram que 87% dos casos foram provocados por ações humanas", alerta o capitão.

Os problemas ocasionados pelas queimadas, como favorecimento de erosão e deslizamentos, destruição da fauna e flora, risco de acidentes, além de agravamento de problemas respiratórios, são destacados por Santiago, que ainda chama a atenção para as responsabilidades. "Realizar queimada sem autorização é crime. O autor pode receber sanções que vão desde obrigação de reparo e multa a processo criminal com possibilidade de prisão por crime ambiental."

Problemas respiratórios

Se a solução para evitar os transtornos das queimadas é a prevenção, na saúde o caminho é o mesmo. De acordo com a pediatra pneumologista da Secretaria de Saúde e professora da Faculdade de Medicina da UFJF Marta Duarte, esta época é propícia para o desenvolvimento de doenças respiratórias, principalmente as infecções por vírus e as alergias (como rinite alérgica e asma). "Às vezes, as infecções virais complicam e favorecem o surgimento de infecções bacterianas, responsáveis pelas rinites, sinusites, otites, amigdalites, bronquites, bronquiolites e até pneumonia."

Marta ressalta que, no caso das alergias, além de ser indicado tratamento preventivo com medicamentos (disponíveis pelo SUS), em algumas situações, é necessário que práticas sejam adotadas para melhorar a qualidade de vida nesta época (ver quadro).