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Infestação de dengue continua crescendo


Por Fernanda Sanglard

21/03/2013 às 20h19

A infestação do mosquito transmissor da dengue segue escala ascendente em Juiz de Fora, aumentando a preocupação das autoridades em relação à possibilidade de uma epidemia da doença. O resultado do segundo Levantamento do Índice Rápido de Infestação do Aedes aegypti (Liraa) de 2013, divulgado nesta quinta-feira (21) pela Secretaria de Saúde, mostra que 7,75% dos 6.507 imóveis vistoriados pelos agentes de endemias apresentavam focos do mosquito. No primeiro levantamento, em janeiro passado, o percentual de infestação era de 7,56%. Embora pareça pouco significativo, o aumento demonstra que as ações desenvolvidas não foram suficientes para conter o avanço da moléstia, que já tem 570 notificações, com 385 casos confirmados.

Em alguns bairros, a situação chega a ser alarmante, com o Liraa chegando perto de 13%, quando o máximo considerado seguro pelo Ministério da Saúde é de 1%. É o caso, por exemplo, do Alto Santo Antônio, Aracy, Bairro de Lourdes, Costa Carvalho, Jardim do Sol, Santos Anjos, São Bernardo e Tiguera, na Zona Sudeste, onde o percentual foi de 12,68%. Na Zona Sul, a infestação atingiu o patamar de 11,38% no Alto dos Passos, Bela Aurora, Cascatinha, Estrela Sul, Ipiranga, Mundo Novo, Santa Cecília e Teixeiras. Entre os bairros com menores índices estão Barreira do Triunfo, Ponte Preta, Distrito Industrial, Vila Esperança e Benfica, na Zona Norte, que tiveram percentual de 3,55%. O levantamento também mostrou que o Aedes aegypti está disseminado por todas as regiões, estando presente em 130 dos 201 bairros pesquisados.

A subsecretária de Vigilância em Saúde, Glênia Campos, alerta para o alto índice de infestação dentro das residências. As pessoas tendem a pensar que o problema está apenas nos lotes vagos e residências fechadas, mas ocorre nas casas habitadas. Na avaliação de Glênia, a situação é preocupante, e a população e o Poder Público não podem relaxar. Devemos acirrar o combate, porque o índice não diminuiu, ainda que seja natural haver aumento entre janeiro e março, por conta do período chuvoso. Ela ressalta que alguns locais que receberam ações da campanha Força Saúde houve diminuição, mas, em outros, o Liraa segue muito elevado. Posso dizer que a cidade toda continua com risco da transmissão da doença.

Ela lembra que o quadro de epidemia é constatado quando há 1.500 notificações. Como o Liraa não teve redução e a cidade já tem 570 casos notificados, há indícios cada vez mais fortes de epidemia. Entre as estratégias traçadas pelo município para conter o avanço da dengue, está o estímulo ao registro das suspeitas de contágio. Nossa estratégia principal é estimular a notificação, para que, cientes de que a pessoa está com sintomas, possamos fazer o bloqueio de foco por meio da pulverização de inseticida com o UBV (fumacê costal ou ultra baixo volume costal). Identificamos o local onde a pessoa com suspeita vive, e os agentes aplicam o produto usando equipamento costal.