Parecer sobre cemitério será avaliado em abril
O preparo do terreno que vai abrigar o cemitério vertical da cidade está adiantado e, em abril, o parecer referente ao licenciamento ambiental prévio do empreendimento deve ser avaliado no Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema). O novo cemitério receberá o nome de Memorial da Cidade de Juiz de Fora e será conduzido pela iniciativa privada. Com a proposta de erguer 32 blocos de edifícios, com quatro pavimentos e capacidade para 1.440 jazigos em cada bloco, o cemitério vertical vai ser construído em fases. De acordo com o engenheiro responsável pelo empreendimento, Eduardo Pimenta, a primeira fase envolverá três prédios e "a previsão é que seja concluída em 24 meses". Ele explica que as demais etapas vão ser iniciadas de acordo com a demanda.
A secretária de Atividades Urbanas, Sueli Reis, esclarece que o projeto de construção foi aprovado, "por estar de acordo com o código de obras", e que a pasta prepara um termo de compromisso com detalhes técnicos. Como a proposta inicial de instalação do cemitério vertical era na região da Avenida Deusdedit Salgado, Zona Sul, e, agora, o Memorial será construído na Rua Otília de Souza Leal, no Bairro Marilândia, Cidade Alta, Sueli diz que "será necessário fazer uma alteração no decreto, e eles ainda precisam conseguir a licença ambiental na Agenda JF".
Conforme o superintendente da Agenda JF, Aristóteles Faria, o parecer sobre o licenciamento ambiental do empreendimento está em fase de finalização e será apresentado em reunião do Comdema, no próximo dia 17. "Este parecer precisa ser aprovado pelos conselheiros e incluirá condicionantes que deverão ser seguidas pela empresa responsável", explica Aristóteles. Antes disso, segundo ele, a construtora não pode iniciar a edificação, já que, por enquanto, só haveria autorização para a movimentação de terra.
Pimenta explica que cada prédio do cemitério vertical terá espaço destinado aos lóculos (gavetas). "As urnas não ficam em pé, como muita gente pensa, mas são colocadas horizontalmente em uma parede que tem as divisões dos lóculos na ala de jazigos. Cada espaço dedicado a receber uma urna terá aproximadamente 2,4m de profundidade." Ele defende que a proposta é uma opção segura e traz vantagens ambientais, pelo fato de o local ficar protegido do sol e da chuva e de os caixões não serem dispostos no solo. "No cemitério tradicional, como está no chão, quando chove, não tem jeito, a água vai molhar, percolar. Já neste novo modelo, a decomposição do corpo não gera o necrochorume dessa forma. Não há contaminação do solo. Mas, por precaução e prevenção, há sistema de exaustão que filtra os gases e evita o mau-cheiro."
Pimenta adianta que o bloco da frente será um prédio de serviço, com área de atendimento ao público, banheiros, floricultura, lanchonete, cafeteria, salas de velório e capelas ecumênicas. Já os blocos restantes serão interligados por passarelas e exclusivamente dedicados aos jazigos.
Investimento
O projeto total do Memorial da Cidade de Juiz de Fora envolve 55 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 67 mil metros quadrados. O investimento estimado é de R$ 55 milhões. Pimenta diz ser difícil precisar com tanta antecedência o preço que será praticado na comercialização de jazigos, mas calcula que seja algo em torno de R$ 8 mil. "Isso pode variar para mais ou para menos, dependendo da situação. A proposta é ser uma opção digna, com qualidade e preço de mercado. Não será nada abusivo."
Cemitério pode ser primeiro vertical de MG
Se a construção do Memorial da Cidade de Juiz de Fora ocorrer como o planejado, ele pode ser o primeiro cemitério vertical de Minas Gerais, e os responsáveis apostam que "será um dos mais modernos do Brasil", como afirma o engenheiro Eduardo Pimenta.
O engenheiro também não acredita que a instalação do empreendimento no Bairro Marilândia, na Cidade Alta, enfrentará problemas com os moradores. "Inicialmente, as pessoas estavam receosas. Mas acho que agora já compreenderam melhor a proposta."
Comerciante e moradora do bairro, Cléria Maria Pinto, 44 anos, espera que a construção do cemitério valorize a área. "Estou achando bom e acredito que os terrenos e pontos comerciais vão ter valorização. Comprei uma loja aqui recentemente e já está valendo mais." Também comerciante, Paulo Lúcio Gomes de Souza, 35, mora próximo à rua onde o cemitério será construído e enxerga com bons olhos o empreendimento. "Sabemos de gente que não está gostando de morar perto de um cemitério, mas eu não vejo problema. É melhor do que se fosse uma boate, pois esses vizinhos com certeza não vão incomodar", brinca.
Crematório
Pimenta adianta que, no projeto aprovado, há reserva de área para instalação de um futuro crematório. "Mas é claro que esse projeto específico do crematório precisa ser submetido à análise do Município e dos órgãos responsáveis, e isso é uma intenção nossa." Caso o crematório venha a ser instalado, Pimenta esclarece que os custos de uma cremação tendem a ser menor do que de um sepultamento tradicional.








