Exercício de paciência no Centro

Até motociclistas tiveram dificuldades ontem para sair dos gargalos
O aquecimento do comércio nos dias que antecedem o Natal, o movimento dos candidatos do vestibular da UFJF e o período chuvoso mais uma vez provocaram nó no trânsito da área central de Juiz de Fora, exigindo paciência de motoristas e pedestres. De acordo com a Settra, nesta semana, cerca de 130 mil automóveis por dia estão circulando pelos principais corredores do Centro, o que significa um aumento de 30% a 40% se comparado com outros períodos do ano. O resultado disso são as retenções no tráfego e o flagrante de pessoas caminhando nas ruas pela falta de espaço nas calçadas. Nos pontos de táxis, a espera por um carro pode chegar a 50 minutos, e, nos pontos de ônibus, passageiros reclamam de lotação e demora nas viagens. Com a dificuldade de chegar aos locais mais críticos de automóvel, na tarde de ontem, a Tribuna fez, a pé, todo o percurso da região Central.

Com o maior fluxo, as situações de abuso no trânsito também cresceram. Na Rua Braz Bernardino, a reportagem encontrou carros desrespeitando as regras da Área Azul. Muitos automóveis estavam estacionados em locais exclusivos para idosos, enquanto outros não portavam o cartão obrigatório exposto no vidro dianteiro. Conforme o chefe do Setor de Fiscalização da Settra, Jorge Lima, o estacionamento irregular é a principal causa de multa na área central, com cerca de 40% do total. Em seguida, aparecem uso do telefone celular ao volante, com 20%, e avanço de sinal, aproximadamente 10%. As outras infrações frequentes são falta de uso do cinto de segurança e problemas na documentação dos veículos e de condutores. Para coibir os abusos, 60 agentes vão atuar no Centro a partir de amanhã, após o fim do vestibular, segundo a Settra.
Até motociclistas tiveram dificuldades ontem para sair dos gargalos. É o que afirma o presidente da Associação dos Motoentregadores de Juiz de Fora (AME-JF), Antônio Carlos Lourenço, o Toninho Motoboy. "O movimento aumentou muito para todos os veículos. Em dias assim, esperamos mais de 20 minutos até conseguir uma vaga. São muitos carros de fora também. Estas pessoas não conhecem bem o nosso trânsito. Isso piora a situação." O motoentregador indicou pontos com maior dificuldade de transitar, que devem ser evitados. "A Avenida Rio Branco está terrível de passar no trecho em obras (entre as ruas Doutor Romualdo e Antônio Carlos). Além disso, há pontos difíceis já conhecidos, como a esquina da Rio Branco com a Santa Rita e a Getúlio Vargas com a Rua Floriano Peixoto. Têm muitos avanços de sinal naqueles trechos."
A Secretaria de Obras, por meio de sua assessoria, informou que o trabalho de substituição do asfalto na Rio Branco será interrompido na quinta-feira e só retornará em meados de janeiro. Entre a Doutor Romualdo e a Antônio Carlos, o sistema adotado é o de interdição parcial do trecho. Já as outras intervenções, como a instalação de floreiras e canteiros, à frente da Avenida Itamar Franco (antiga Independência), não serão suspensas no fim de ano porque, conforme a assessoria da Secretaria de Obras, não atrapalham a fluidez do trânsito.
Pedestres
Na Avenida Getúlio Vargas, as calçadas não eram suficientes para atender ao grande número de pedestres. Flagrante de pessoas andando na rua, em meio aos carros e ônibus, eram comuns. Segundo a vendedora de pipocas Vanilda Alves, 45, a tendência é que o movimento se mantenha intenso até o sábado, principalmente após às 17h. "Vamos trabalhar até 22h com a certeza de muitas vendas."

Após as compras; fila do táxi
Os problemas no trânsito também exigem paciência dos usuários de táxi. Em dois pontos pelos quais a reportagem passou, o cenário era o mesmo: filas grandes, demoradas e reclamações de usuários. Na Avenida Rio Branco, em frente à Catedral Metropolitana, a estudante Michelle Braz, 23 anos, aguardava há 40 minutos por um carro. Ela fazia compras de Natal e tentava retornar para casa, no Bairro São Mateus, Zona Sul. A mesma situação foi identificada na Rua Batista de Oliveira, próximo ao Calçadão da Halfeld, onde a professora Dircea Mattos, 60, esperava há 30 minutos para ir ao Bairro Costa Carvalho, na Zona Sudeste. "De ônibus, é pior ainda. Além de serem demorados, estão lotados." Segundo a Settra, 118 linhas circulam com viagens extras desde o dia 10, sempre a partir das 13h. Até o fim da operação de Natal, no sábado, serão 4.423 viagens extras.
O chefe do Setor de Fiscalização da Settra, Jorge Lima, também afirma que, nesta época, aumenta o número de reclamações envolvendo o serviço de táxi, como a negativa do permissionário em realizar viagens curtas ou mau atendimento ao usuário. "Temos um telefone de plantão para registrar as denúncias que é o 3690-8218." Lima lembra que é importante anotar a placa do veículo. A mesma orientação foi dada pelo presidente da Associação dos Taxistas de Juiz de Fora, Luiz Gonzaga Nunes.








