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Jovem morre após ser esfaqueado em posto


Por Sandra Zanella

20/11/2012 às 21h30

Philipe, 21, (no detalhe) foi perseguido por dupla e atacado. Câmera flagrou ação

Philipe, 21, (no detalhe) foi perseguido por dupla e atacado. Câmera flagrou ação

*Atualizada às 21h30

Um jovem de 21 anos morreu após ser perseguido e esfaqueado em um posto de combustíveis, na noite de segunda-feira, na Rua Ibitiguaia, no Bairro Santa Luzia, Zona Sul. Philipe José Cerqueira trabalhava há um ano e meio no estabelecimento como frentista, mas estava fora do seu horário de serviço quando foi atacado. Ele havia encerrado o turno às 18h e retornado para as imediações pouco depois das 20h, quando foi alvo da ação criminosa. Segundo informações da Polícia Militar, dois rapazes, de 16 e 22 anos, teriam desembarcado de uma moto e corrido atrás da vítima pelo pátio do posto. O homem mais velho, que usava capacete, conseguiu alcançar e desequilibrar Philipe. Na sequência, ele foi atingido próximo ao coração por um golpe de faca, que teria sido desferido pelo adolescente. Mesmo ferida, a vítima ainda conseguiu caminhar, com a ajuda de funcionários do posto, até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Luzia, situada do outro lado da rua. Ela chegou a ser atendida, mas, com intenso sangramento, não resistiu à perfuração e morreu, sendo o óbito constatado às 20h55. O corpo passou por necropsia no Instituto Médico Legal (IML).

O crime foi gravado pelo circuito de câmeras do posto, o que ajudou na identificação dos suspeitos, mas eles não foram localizados. Conforme a PM, o homicídio teria motivação passional, porque o homem, de 22, morador do Ipiranga, estaria com ciúmes da própria namorada, porque ela já teria tido um relacionamento com a vítima. A banalidade do que teria levado ao assassinato chocou amigos e familiares de Philipe. Durante o velório nesta terça-feira (20), no Cemitério Municipal, a irmã dele, Tatiane Reis Cerqueira, 25, desabafou: "Estou destruída, acabaram com minha vida. Só quero que façam justiça." Segundo ela, o irmão já havia recebido ameaças. "Ele estava sendo ameaçado pelo telefone, mas não falou com a gente. Só agora fiquei sabendo."

Philipe era o caçula da família, moradora do Bela Aurora, também na Zona Sul. "Ele era trabalhador, quieto, não arrumava briga. Namorava há quatro anos, mas o problema foi por causa de outra garota", disse Tatiane. No posto em que o frentista trabalhava e foi atacado, o clima também era de desolação. O gerente do estabelecimento, Herculano Baessa, estava presente quando tudo aconteceu em questão de segundos. "Havia acabado de entrar no escritório quando houve o corre-corre. Philipe havia saído do trabalho, foi em casa tomar banho e voltou ali para a rua, onde fica um movimento."

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Fuga

Após o esfaqueamento, os criminosos jogaram a faca no córrego do bairro e fugiram em uma motocicleta Honda CG. Militares contaram com a ajuda de populares para identificar os suspeitos nas filmagens e fizeram contato com as namoradas da vítima e do suspeito mais velho. O pai dele relatou aos policiais que o filho havia chegado em casa por volta das 20h30 com um rapaz na garupa da moto, jogado a mochila e saído. A moto usada na fuga foi encontrada pela PM abandonada no Poço Rico, Zona Sudeste. Peritos da Polícia Civil estiveram no local para realizar os levantamentos. Também foram apreendidos dois capacetes e a arma que teria sido usada no crime.

O comandante da 32ª Companhia da PM, responsável pelo policiamento na Zona Sul, capitão Ricardo França, fez um alerta às pessoas que sofrem ameaças de morte sobre a importância de se registrar boletim de ocorrência. "A vítima já estava sofrendo ameaças desse rapaz, sabia que estava no encalço dele, mas não deu queixa à polícia. Isso dificultou nosso serviço de prevenção. Temos a Patrulha de Prevenção a Homicídios (PPH) e teríamos ido à casa do autor, mas a gente não tinha conhecimento", lamentou.

 

População questiona atendimentos

Chocados com a violência e a insegurança, pessoas que presenciaram o homicídio de Philipe José Cerqueira, na noite de segunda-feira, no Santa Luzia, Zona Sul, reclamaram de suposta burocracia para o atendimento médico na UPA e demora na chegada da PM ao posto de combustíveis. "Ligamos várias vezes para o 190 e ficamos uma hora aguardando a polícia, até chegar a primeira viatura. Depois, vieram quatro. Isso porque umas dez ficam paradas no posto de Santa Luzia, mas alegaram que elas precisavam ser empenhadas pelo Copom (Centro de Operações da PM)", disse o comerciante Sérgio da Silva Moreira, 59 anos. "Pagamos impostos para termos segurança. Juiz de Fora não era assim, o que está acontecendo? Ainda quiseram fazer ficha na UPA e pediram os documentos antes de atenderem o rapaz, mas reclamamos, e ele foi atendido", completou. O gerente do posto de combustíveis fez coro: "O cara estava ensanguentado, jorrando sangue e ainda queriam fazer ficha antes? Isso é um absurdo." Para Sérgio, há descaso com a população. "Não tem que ter limitação, primeiro o ser humano. Estou indignado."

Questionada sobre a situação na UPA, a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde disse que as reclamações não procedem e que a vítima foi atendida imediatamente, após chegar andando à unidade, com ferimento por arma branca acima do coração, sendo a ficha médica preenchida por um amigo.

Já o assessor de comunicação organizacional da 4ª Região da PM, major Sebastião Justino, disse que a primeira ligação feita ao Copom relacionada ao caso foi de atrito verbal, e as viaturas da área estavam empenhadas. Posteriormente, a ocorrência evoluiu para uma lesão, sendo acionadas as viaturas da Rotam, especializadas nessa complexidade de ocorrência, e deslocadas para o rastreamento dos suspeitos. Ele destacou que os militares conseguiram localizar a moto e os capacetes usados na fuga e fizeram investidas na casa dos suspeitos, que não foram encontrados.