Escola da Zona Norte faz passeata contra violência

Protesto foi motivado por violência a adolescente
Alunos, pais e professores da Escola Municipal Henrique José de Souza, na Cidade do Sol, Zona Norte, se uniram ontem em uma passeata pedindo o fim da violência entre gangues de jovens. Os conflitos vêm causando temor à população, especialmente depois que um adolescente de 15 anos foi esfaqueado por outro, da mesma idade, a poucos metros da instituição de ensino, no início deste mês. Vestidos de branco, os manifestantes percorreram as ruas do bairro, com apitos e faixas em que pediam, além de paz, a presença de guardas municipais nas portas das escolas públicas da cidade. "Queremos chamar a atenção para a necessidade de paz, para o resgate das famílias nas escolas, para o compromisso dos órgãos públicos, como polícia e Prefeitura, e para a necessidade de a população estar envolvida na melhoria dos conflitos que a comunidade escolar enfrenta," disse a diretora Rita de Cássia Borba.
O adolescente suspeito do esfaqueamento é aluno da instituição, e a vítima também já havia frequentado a escola. O desentendimento entre ambos estaria relacionado à rivalidade entre gangues dos bairros Cidade do Sol e Parque das Torres. Segundo os moradores, as provocações e os enfrentamentos são constantes entres os grupos. "Meu neto de 7 anos não está vindo à aula desde o que ocorreu. Está com medo. Eu também não mando, melhor ele perder o ano do que perder a vida," disse a dona de casa Marlene Aparecida Alves, de 59 anos, que tem outros três netos – 12, 13 e 14 anos – matriculados na escola. "Os mais velhos continuam vindo, porque já sabem correr no caso de acontecer alguma coisa. Mas a gente fica preocupada. Na semana passada, eles também não vieram."
Segundo informação da Secretaria de Saúde, o adolescente agredido a facadas, no dia 6 deste mês, passou por cirurgia no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e recebeu alta médica no último dia 13. Já o estudante apontado como autor do crime, morador do Parque das Torres, não foi localizado. A Escola Municipal Henrique José de Souza, que tem 800 alunos divididos em três turnos, oferece o ensino fundamental e o programa educação de jovens e adultos (EJA). "Nunca tivemos problemas de violência dentro da escola, a não ser questões disciplinares, comuns a todas as instituições. Nosso objetivo é agir preventivamente, evitar que aconteça," disse a diretora.
De acordo com o assessor de comunicação organizacional do 27º Batalhão da Polícia Militar, capitão Paulo Alex Moreira, a instituição de ensino pode ser inserida nos programas preventivos desenvolvidos pela corporação junto às comunidades escolares da Zona Norte, como o Programa Educacional de Combate à Violência e Resistência às Drogas (Proerd), o Jovens Construindo a Cidadania e o mais, recente, Construindo a Paz. "São todos voltados para o trabalho preventivo, bem estruturados na região e que proporcionam o estreitamento das relações entre a comunidade e a polícia. A PM está preocupada principalmente em assegurar a integridade física de crianças e adolescentes, evitando ocorrências de lesões corporais tentativas de homicídio e homicídios. Mas, para isso é necessário o envolvimento familiar, pois trata-se de um processo de saúde social, em que jovens com problemas em sua estrutura familiar acabam aliciados, atraídos para a estrutura do crime".








