Audiência debate condições de trabalho dos rodoviários
As condições de trabalho dos servidores em transporte público de Juiz de Fora foram debatidas nesta segunda-feira (20) em audiência pública na Câmara Municipal. Entre os principais temas discutidos, está a questão da violência enfrentada pelos profissionais no ambiente de trabalho, com constantes registros de assaltos, vandalismo e brigas de gangue. Na ocasião, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro), Adilson Rezende, destacou que, caso não haja redução no número de assaltos nos próximos 15 dias, haverá nova paralisação da categoria. Também na audiência, Adilson apresentou a recente decisão da juíza do trabalho Sheila Marfa Valério, que condena uma empresa de transporte coletivo da cidade a pagar R$ 7.500 a um funcionário por danos morais. O motivo seria o fato de a empresa não oferecer banheiros para motoristas e cobradores.
De acordo com o documento, um motorista teria passado por situação constrangedora em maio do ano passado, quando, por não ser substituído após as suas solicitações, evacuou nas próprias roupas e diante dos usuários do transporte público. Segundo Adilson, os quase 3.600 motoristas e cobradores da cidade sofrem pela falta de condições básicas de higiene, e pelo menos 700 deles estão afastados por problemas de saúde. Não temos banheiro químico nos pontos finais e, quando conseguimos, utilizamos os sanitários de bares, conforme a boa vontade do proprietário. Por meio de sua assessoria de comunicação, a Astransp informou que a ação movida contra a empresa está em fase de recurso em Belo Horizonte e que prefere não se manifestar até que haja uma decisão final.
Violência
Na audiência desta segunda, o secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello, apresentou levantamento da PM que demonstra queda nos registros de assaltos a ônibus nos últimos anos. Segundo os dados, em 2009, foram 31 assaltos, seguido de 62 em 2010. Já em 2011 e 2012, teria havido uma expressiva queda neste tipo de ocorrência, contabilizando 17 e 16 assaltos, respectivamente. A PM não informou a quantidade de roubos neste ano. Esses dados demonstram que está havendo uma queda na violência, em grande parte por conta da instalação do sistema de segurança interno.
A afirmação foi contestada pelo presidente do Sinttro. Segundo ele, o circuito interno de segurança não consegue inibir a ação dos bandidos. Todos sabemos que esses números da PM não refletem a realidade. A maioria das câmeras anda desligada e só serve para justificar os gastos da empresa e não são usadas como testemunha a favor dos trabalhadores. De acordo com a Astransp, a frota tem mais de 580 veículos, todos equipados com câmeras, sendo três ou quatro equipamentos por ônibus. A Astransp informou que todas as câmeras estão funcionando normalmente.









