Juiz-forano é 1º do país a ter novo marca-passo

Médica mostra dispositivo liberado pela Anvisa
O primeiro brasileiro a receber um marca-passo que permite a realização de ressonância magnética do corpo inteiro foi um juiz-forano de 86 anos. O implante do novo dispositivo, o Advisa MRI, foi realizado no Hospital Monte Sinai, no último dia 12, pela eletrofisiologista Ana Cláudia Venâncio. Segundo a médica, o aparelho representa um importante avanço tecnológico, já que quebra uma grande barreira da investigação diagnóstica. "Atualmente, muitos diagnósticos são feitos com maior precisão por meio de ressonância magnética. Antes do Advisa MRI, existia apenas um aparelho que permitia o exame nos membros inferiores e na cabeça, o que dificultava, nos pacientes com marca-passo, a detecção de tumores abdominais e torácicos, por exemplo."
Para Ana Cláudia, o pioneirismo na realização da cirurgia com o dispositivo, que foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recentemente, é um marco importante para o Monte Sinai. "Logo após a aprovação, os convênios puderam disponibilizar o aparelho, e nós tínhamos um paciente que precisava de marca-passo e tinha indicação para fazer ressonância. Solicitamos ao convênio dele, e foi liberado. Foi uma conjunção de coincidências." Conforme a médica, a cirurgia é a mesma que se fazia para implantar os modelos anteriores, com uma incisão de 5cm ou 6cm no tórax. Segundo ela, o idoso está em acompanhamento e passa bem, e a ressonância magnética poderá ser feita em duas ou três semanas.
O implante de marca-passo é realizado em pacientes que possuem algum tipo de insuficiência cardíaca. "Ele é necessário para pessoas que possuem, devido a alguma disfunção, a frequência cardíaca mais baixa ou nos pacientes que têm problemas na condução da eletricidade do átrio para os ventrículos", explica Ana Cláudia. As máquinas de ressonância produzem imagens por meio de um elevado campo eletromagnético, o que, em contato com o marca-passo, pode desprogramá-lo, causando graves danos ao coração. "Isso não acontece com o Advisa MRI porque a concentração de metal dele é baixíssima, e pode ser comportada pela ressonância."
A médica acredita que, com o tempo, a tendência é que os modelos anteriores caiam em desuso, já que oferecem muitos entraves à realização de exames diagnósticos. "Quanto menos limitação houver na realização dos exames, melhor será para a investigação diagnóstica." Ela ressalta, entretanto, que este avanço não se aplica a outros tipos de dispositivos. "Uma prótese de quadril, por exemplo, tem necessariamente que ter uma concentração elevada de metais. Até que um paciente com uma delas possa fazer ressonância de corpo inteiro, a tecnologia precisa evoluir muito."








