Anúncio de dois mergulhões este ano
As prometidas intervenções urbanoviárias para a melhoria do tráfego na cidade devem sair do papel em 60 dias, tempo previsto para a conclusão de todo o processo licitatório. Ontem a Prefeitura anunciou o início da licitação que vai selecionar a empresa que vai executar o conjunto de 17 intervenções, em um pacote de nove grandes obras viárias. A garantia do prefeito Custódio Mattos (PSDB) é de que os dois mergulhões, os três viadutos e as quatro pontes (ver quadro) sejam concluídos, no máximo, em dois anos. Além da área central, a região do Mariano Procópio e do Poço Rico receberão as benfeitorias. A Zona Norte também foi incluída e receberá uma ponte e um viaduto, ambos na altura do Barbosa Lage. Ainda foi incluída no pacote anunciado ontem uma alça no Viaduto Augusto Franco, que vai possibilitar um alívio do fluxo no entorno da Praça Antônio Carlos. Atualmente os veículos que deixam a Avenida Brasil precisam contornar a praça e seguir pela Travessa Doutor Prisco caso queiram acessar a Francisco Bernardino. Com a nova rampa, o itinerário será reduzido, sobretudo para os coletivos.
Paralelamente às obras viárias, a MRS desenvolve um projeto para construção de passarelas para pedestres ao longo de toda a ferrovia. "É um projeto casado. Faremos as intervenções para a melhoria do trânsito, e a MRS, as passarelas. Como vamos fechar algumas das principais passagens de nível, precisamos de pontos para os pedestres trafegarem com segurança", explicou o prefeito. A MRS investiu R$1,2 milhão na elaboração dos projetos.
De acordo com a Prefeitura, a primeira obra a ser iniciada será o mergulhão da Avenida Francisco Bernardino, que fará a transposição subterrânea da linha férrea, ligando a via à Rua Leopoldo Schimitz, próximo ao Terreirão do Samba, desembocando na Avenida Brasil. Simultaneamente será erguida a Ponte dos Poderes, que ligará a Avenida Brasil à Avenida Garibaldi Campinhos, ou seja, as duas margens do Paraibuna. Após a conclusão desse primeiro conjunto, que vai carrear todo o fluxo da área central para a Zona Leste, terá início a construção do Mergulhão da Benjamin Constant, que funcionará em sistema de binário com a primeira trincheira.
"A previsão é de que essas três obras fiquem prontas até o fim do ano", afirmou o prefeito, ressaltando a necessidade de os condutores compreenderem os contratempos que ocorrerão durante a execução das obras. "Os transtornos são inevitáveis. São projetos complexos, e muitas intervenções de uma só vez. Pode ser que estejam acontecendo obras em dois, três pontos ao mesmo tempo. Para isso, serão necessárias aberturas provisórias para os veículos. A passagem de nível da Rua Espírito Santo (com Rua da Bahia), por exemplo, deve se reaberta para ajudar a reduzir os impactos na Francisco Bernardino." O cronograma prevê, na sequência, o início da construção do viaduto e da ponte do Tupynambás, seguida pelas obras da ponte da Rua Antônio Lagrota, viaduto e ponte do Bairro Barbosa Lage e, por último, o viaduto do Mariano Procópio.
Avenida Brasil será grande eixo estruturador
Os mergulhões, as pontes e os viadutos têm o objetivo de reduzir o impacto causado pela passagem da ferrovia na cidade. Atualmente pelo menos 35 composições cruzam Juiz de Fora, parando o trânsito por cerca de duas horas a cada dia, prejudicando 86 linhas de ônibus e quase dois milhões de passageiros. Outro obstáculo é o corte natural feito pelo Rio Paraibuna, dividindo a cidade em duas.
As intervenções possibilitarão driblar as barreiras e transformarão a Avenida Brasil no grande eixo estruturador do município, desafogando, assim, as principais avenidas centrais, como Rio Branco, Itamar Franco e Getúlio Vargas, um dos principais objetivos do projeto. Atualmente pelo menos 190 mil veículos circulam, por dia, em Juiz de Fora, número 87% maior que há dez anos.
Para o financiamento total das obras, o orçamento é de R$81 milhões. A maior parte do montante – R$65 milhões – será empenhada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e outros R$16 milhões serão a contrapartida do município, que foram reservados de verba disponibilizada pelo Estado a partir de 2009. Do Dnit, para o orçamento deste ano, a PJF tem a liberação de aproximadamente R$ 10 milhões, ou seja, pelo menos R$26 milhões estão garantidos para o início das intervenções.
A Prefeitura ainda deve anunciar, nos próximos dias, a reserva de mais R$ 10 milhões do município, que serão empenhados em obras adicionais e, principalmente, nas desapropriações necessárias às obras. Em dezembro passado, a primeira área foi desapropriada na Rua Francisco Bernardino, próximo à São Sebastião, mas a demolição dos imóveis só aconteceu no último mês. As despesas decorrentes desse procedimento somaram R$ 187.745.








