Ouça agora

Movimento cai mais de 80% na rodoviária de Juiz de Fora

Viagens para o Rio estão mantidas, mas polícia de Witzel tem tentado impedir embarques no terminal carioca


Por Gabriel Silva, estagiário sob supervisão do editor Wendell Guiducci

20/03/2020 às 13h12- Atualizada 20/03/2020 às 13h17

O Terminal Rodoviário Miguel Mansur já sente fortemente os impactos da necessária reclusão social como prevenção ao novo coronavírus. Conforme o gerente Arthur Bittencourt, o número de usuários caiu cerca de 80% nos últimos dias, após intensificação na quantidade de viagens no início desta semana. A possibilidade de impedimento de viagens interestaduais entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, após decreto do governador fluminense Wilson Witzel, pode significar queda ainda maior de usuários, mas determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mantém, ao menos por enquanto, os trajetos.

De acordo com o gerente do terminal, todos os guichês seguem operando normalmente, apesar da redução da quantidade de viagens. Funcionários da rodoviária trabalham em esquema de escala para manter a higienização do prédio e, além da queda na demanda, os comércios seguiram o decreto municipal e estão fechados. “Hoje, está extremamente vazio aqui (na rodoviária). Com exceção dos dois restaurantes, da farmácia e dos guichês, o restante do comércio está fechado. A gente fez ações de contingência para o terminal, tendo, principalmente, cuidado patrimonial. Mantendo a manutenção, a limpeza e a conservação do prédio, dadas as necessidades que precisamos atender”, relata Arthur.

Em um momento sem precedentes, conforme o gerente, a orientação passada para os usuários é evitar ao máximo as viagens. Caso seja de extrema necessidade, a rodoviária orienta a comprar as passagens pela internet, se possível, e chegar ao terminal em um horário próximo ao marcado para o embarque. “Nós não temos problema de trânsito, então chegue aqui e pegue o ônibus já mais perto do horário de partida. Mas o ideal é que, quem puder, fique em casa”, alerta.

Imbróglio fluminense

Um fato que pode reduzir ainda mais a utilização do Terminal Rodoviário Miguel Mansur é o cancelamento de todas as viagens entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro a partir de sábado (21), determinação anunciada na última segunda-feira (16) pelo governador do Rio, Wilson Witzel. De acordo com Arthur Bittencourt, a maior parte dos ônibus que saem de Juiz de Fora tem como destino o estado fluminense, de forma que o impedimento pode significar uma queda de 95% no movimento.

Entretanto, a medida desejada por Witzel ainda esbarra no órgão regulador das viagens interestaduais brasileiras, a ANTT. Conforme previsto na legislação, os governos estaduais têm poder para atuar apenas a respeito das viagens intermunicipais, como confirma a Viação Útil, empresa que realiza o trajeto entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro. “Não tem como (a empresa) paralisar, modificar ou fazer qualquer tipo de alteração no serviço sem a ordem da ANTT, que é o poder regulador desse serviço”, reafirma Letícia Kitagawa, gerente de marketing da Útil.

Polícia de Witzel tenta impedir passageiros de embarcar no Rio

As viagens intermunicipais da Útil já foram canceladas em território fluminense, mas as demais estão mantidas, a princípio, tendo apenas redução de horários a um “mínimo necessário”, conforme determinação da ANTT. “É muito difícil, porque todos os dias o governador cobra da Útil a paralisação dos serviços. Tem sido uma luta diária, hoje mesmo eles colocaram força policial na porta da rodoviária do Rio, proibindo as pessoas de entrar. A gente acionou a ANTT, e a força foi retirada do local para não impedir as pessoas”, relata Letícia, afirmando também que, frequentemente, a empresa recebe ligações telefônicas de pessoas preocupadas com a possibilidade de não conseguirem acessar o Rio de Janeiro. “As pessoas precisam voltar para casa”, contesta.

O terminal juiz-forano garantiu a manutenção das atividades da Viação Útil até segunda ordem da ANTT,  mas a gerente alerta. “Com relação ao terminal rodoviário do Rio, nós não conseguimos garantir nada. Todos os dias temos que tomar medidas pela ANTT para deter as determinações do governador naquilo que ele não tem competência para atuar.”