Causa de deslizamento ainda em investigação

Residências atingidas por terra na Rua Roberto Hargreaves permanecem interditadas
Foram sepultados, na tarde de ontem, os corpos das duas jovens de 19 anos que morreram em um desabamento de terra no Bairro Linhares, Zona Leste, na manhã de domingo. Larice Aparecida da Silva Quina e Anna Beatriz Varela estavam no quarto dos fundos de uma casa na Rua Roberto Hargreaves quando o barranco desmoronou, atingindo a residência de nº 353. Pela manhã, a Defesa Civil esteve no local para reavaliar a situação do imóvel onde estavam as vítimas e de outras três casas atingidas. Todas as residências permanecem interditadas. "Ainda vamos avaliar o que tem que ser feito na encosta e também de que forma podemos contribuir com as famílias atingidas", disse o subsecretário de Defesa Civil, major José Mendes da Silva. Ele afirmou ainda que a área não era considerada de risco. Conforme a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras, ainda não é possível prever que tipo de intervenção será feita na região caso seja constatada necessidade.
No domingo, a perícia da Polícia Civil esteve no local para avaliar as causas do acidente, retornando também ontem à tarde. De acordo com a titular da 5ª Delegacia Distrital, Maria Pontes, ainda não há previsão de quando o laudo ficará pronto, mas o inquérito para investigação do caso já foi aberto. A Secretaria de Assistência Social (SAS) informou que as famílias desabrigadas receberão auxílio aluguel da Prefeitura, no valor de R$ 180, além de terem prioridade de inserção em iniciativas do programa "Minha Casa, Minha Vida". Conforme a pasta, as pessoas estão em casas de amigos e parentes, e a ajuda ainda não foi solicitada. A SAS também comunicou que a situação dos moradores está sendo acompanhada diretamente pela subsecretária do Sistema Único de Assistência Social (Suas), Flávia Braz. O órgão colaborou com o custeio das despesas dos velórios e sepultamentos.
Investigações técnicas
Há suspeitas de que o acidente tenha sido provocado por um vazamento em uma rede de água da Cesama na Rua Vera Lúcia, que fica acima de onde o barranco começou a ceder, mas só o laudo da perícia poderá apontar as causas. Em nota, a assessoria da Cesama lamentou o ocorrido e afirmou que enviou funcionários e engenheiros para prestarem auxílio à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros no atendimento aos moradores. A assessoria ressaltou, ainda, que é preciso aguardar as investigações técnicas sobre o caso antes de fornecer informação sobre possíveis causas do acidente. Segundo a comunidade, desde o início da semana passada, haveria um vazamento de uma rede de água na Rua Vera Lúcia, que fica acima do barranco. "Tinha água descendo do alto do morro. Chamamos a Cesama, mas ninguém veio aqui", contou Maria Amélia de Oliveira, prima de Larice, que vive na casa ao lado de onde estavam as vítimas.
A moradora da Rua Vera Lúcia, Denise Afonso Neves, contou que às 5h57 de domingo, a água estava jorrando de um cano que fica no alto da encosta. "Desliguei meu registro para ver se era problema da minha rede, mas a água não parou. Meu marido tentou fazer algo, mas não conseguiu." Ela relatou que a Cesama foi acionada, mas o número do plantão não atendia. Logo depois, disse que ouviu um estrondo, como se fosse uma explosão, e o barranco desceu. "Nunca vou esquecer a cena, fiquei apavorada", relatou, emocionada, a auxiliar de serviços gerais. Na rua, não houve interdição das residências onde vivem quatro famílias, mas Denise está apreensiva. "Estou com medo, mas não posso sair daqui porque não tenho para onde ir." Conforme os moradores, a Cesama chegou ao local depois do acidente, quando foi feito o corte de água. Na manhã de ontem, funcionários do órgão trabalhavam para restabelecer o funcionamento.
Comoção no velório das jovens vítimas
No Cemitério Municipal, parentes e amigos estavam inconformados com as mortes das duas jovens. A irmã de Anna Beatriz Varela passou mal e precisou receber atendimento médico. Larice Aparecida da Silva era atendente do Samu e morava na casa atingida no Linhares. A família de Ana Beatriz residia no Rio de Janeiro, e a jovem, que trabalhava em uma loja de calçados, estava morando com a amiga há cerca de um mês, segundo informações da tia dela, Miriam Varela. A prima de Larice e moradora de uma das casas atingidas pela terra, Tatiana Dias, confirmou o problema na rede de água. "Estava infiltrando água há dias."
O acidente aconteceu no domingo, por volta das 7h, quando os bombeiros foram acionados. Os corpos das vítimas só foram localizados quatro horas depois, devido ao excesso de terra no imóvel, que dificultou o resgate. Na casa, ainda estavam a mãe de Larice e outros dois filhos, de 4 e 7 anos, que conseguiram escapar porque estavam na parte da frente do imóvel. Na casa ao lado, o único cômodo que não foi atingido pela terra abrigava o morador Vilmar de Oliveira. "Meu prejuízo foi grande, mas foi Deus que tirou minha esposa daqui para uma viagem e nada de grave aconteceu", contou.








