Semana debate ‘medicina natural’
Um médico que investiga não só os sinais clínicos e físicos, mas também as vivências emocionais, espirituais e a individualidade de cada paciente. Essa é proposta das práticas médicas integrativas, que abrangem especialidades complementares à medicina tradicional, como a antroposofia, homeopatia e acupuntura. Juiz de Fora é uma das poucas cidades do Brasil que oferecem essas técnicas no SUS. A fim de focar essa humanização do atendimento, o município recebe, a partir de amanhã, a Semana de Práticas Integrativas e Complementares, que tem como foco ampliar o número de profissionais nessas áreas.
O trabalho interdisciplinar é um dos pilares das práticas integrativas, ou “medicina natural”, como prefere a chefe do Departamento de Práticas Integrativas e Complementares (Dpic), da Secretaria de Saúde, Neyza Campos. Profissionais de medicina, psicologia, nutrição, farmácia, massoterapia, entre outras áreas, trabalham em conjunto para um atendimento amplo e individualizado aos usuários. Segundo ela, é necessário que os pacientes e a população em geral vençam o desconhecimento para poder ter mais opções e alternativas de tratamentos de saúde.
A importância de tratar o paciente como um todo, e não só a doença em si, conforme a Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (Abma), se dá ao passo que o estresse e outros distúrbios psicológicos são alguns dos principais causadores da maioria das patologias atuais. Ainda de acordo com a Abma, é crescente o número de médicos de diversas especialidades que buscam renovar suas práticas a fim melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes.
Capacitação
Segundo a chefe do Dpic, reforçar a necessidade da relação de acolhimento entre os profissionais da saúde e o usuário, ampliando a oferta de especialistas voltados mais para o doente do que para a doença, é o principal objetivo da Semana de Práticas Integrativas e Complementares, que começa amanhã e vai até sábado.
O evento prioriza, ainda, o aperfeiçoamento do conhecimento sobre as “práticas milenares” da medicina, como fitoterapia, homeopatia, acupuntura, antroposofia. É a primeira vez que o departamento recebe profissionais e estudantes de toda a Zona da Mata para a troca de experiências.
A iniciativa acontece na sede da Associação Médica de Juiz de Fora, na Rua Braz Bernardino 59, no Centro. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail [email protected].
Um olhar diferente sobre o paciente
As linhas integrativas ou “medicina natural”, como antroposofia, acupuntura e homeopatia, não se colocam como ciência alternativa à medicina, mas, sim, complementar. Segundo a chefe do Departamento de Práticas Integrativas e Complementares (Dpic), Neyza Campos, elas são consideradas como um sistema especial da saúde, com um olhar diferente sobre abordagens e tratamentos oferecidos aos pacientes.
Desde 1995, o SUS da cidade oferece médico homeopatas. Fitoterapia, acupuntura e medicina antroposófica também foram incluídas no sistema público de saúde do município. De acordo com Neyza, faltam profissionais nessa área para atender a demanda atual.
A UFJF também possui um programa de extensão voltado para terapias não convencionais da medicina. O curso reúne acadêmicos e profissionais que enxergam nelas uma alternativa eficiente para universalizar o acesso da população a uma saúde pública de qualidade. De acordo com a chefe do Dpic, a esperança é que as disciplinas do programa sejam oferecidas em breve na grade curricular das graduações da área de saúde.









