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Mulher é esfaqueada pelo filho no Furtado


Por Tribuna

19/11/2013 às 07h00

Uma mulher de 49 anos foi morta a facada, na manhã de domingo (17), na Rua Ana Reis, no Bairro Furtado de Menezes, na Zona Sudeste. De acordo com informações da Polícia Militar, o suspeito de cometer o crime é o próprio filho da vítima, de 25. Ele teria tido uma discussão com a mãe, Maria de Lourdes Gomes, e a golpeado na cabeça com arma branca supostamente porque ela se recusou a ajudá-lo a pagar uma dívida de drogas no valor aproximado de R$ 1 mil.

Pouco antes das 8h, uma filha da vítima a encontrou desacordada e sangrando no interior da residência onde morava. Ela pediu ajuda e, quando policiais militares chegaram ao endereço, viram a mulher caída ao solo, perto de um colchão, com sangramento na cabeça e sem sinais vitais. O Samu chegou a ser acionado, mas vítima não resistiu, e o óbito foi constatado ainda no local. Conforme a PM, peritos da Polícia Civil estiveram na casa e verificaram que Maria de Lourdes apresentava uma perfuração no crânio, provavelmente causada por faca. O corpo foi encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML). Militares realizaram rastreamento na região em busca do suspeito, mas ele não foi localizado.

O crime no Furtado de Menezes foi o terceiro homicídio registrado em Juiz de Fora durante o feriado prolongado de Proclamação da República. Os assassinatos ocorridos em três dias consecutivos e a morte, no sábado, de um homem que estava internado desde o dia 18 de outubro, depois de ser alvejado em Humaitá, elevaram para 121 as mortes violentas contabilizadas apenas este ano na cidade. No mesmo período do ano passado, 86 pessoas foram assassinadas na cidade, e o número de casos já supera em 21% as 99 ocorrências totais do ano anterior. A quantidade de óbitos em decorrência de ações criminosas em 2012 já havia sido bem superior à de 2011, quando 52 pessoas haviam perdido a vida ao serem alvo de crimes.

 

Adolescentes envolvidos

Nos outros dois homicídios ocorridos no feriado prolongado há suspeita da participação de adolescentes, segundo a Polícia Militar. Na sexta-feira, outra mulher já havia sido assassinada na cidade: Maria de Fátima Ferreira dos Santos, 46, foi executada com dois tiros no rosto na Rua Santa Lúcia, no Bairro Grama, Zona Nordeste. De acordo com a PM, o suspeito é um jovem, 16, que seria sobrinho do companheiro da vítima. No local do crime, a polícia encontrou a carteira de identidade do adolescente e um projétil. Ele não foi localizado durante as buscas, e a motivação do ato violento não foi esclarecida.

Já na madrugada de sábado, a PM apreendeu um adolescente, 16, suspeito de ter matado a tiros Leandro Vilela de Paula, 21, no Bairro Ipiranga, Zona Sul. Por volta de 1h, a PM recebeu denúncia de disparo de arma de fogo em um pagode realizado na Rua Geraldo Santiago. Quando os policiais chegaram ao local, encontraram Leandro caído no chão. O Samu socorreu o jovem, mas ele faleceu antes de dar entrada no Hospital de Pronto Socorro (HPS). Conforme a PM, o adolescente assumiu a autoria dos disparos, mas não disse a motivação do crime. Ele foi autuado por ato infracional análogo a homicídio na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil e apresentado à Vara da Infância e Juventude.

Ainda no sábado, a Patrulha de Prevenção a Homicídios Sul desencadeou ações preventivas em decorrência do homicídio e apreendeu mais dois adolescentes, de 15 e 16 anos, que teriam participado do crime. Conforme a PM, eles estariam envolvidos na confusão, motivada por rixa entre moradores do Ipiranga e Bela Aurora, a qual teria resultado no assassinato. Na residência do mais jovem, na Rua Jandira Limp Pinheiro, policiais encontraram o revólver calibre 32 provavelmente usado no homicídio. A dupla também foi levada para a delegacia e encaminhada à Vara da Infância e Juventude. Os casos estão sendo investigados.

Também no sábado, Luiz César Fernandes, 57, morreu no Monte Sinai. Segundo a Polícia Civil, ele foi alvejado por um tiro no maxilar no dia 18 de outubro, no Bairro Humaitá, Zona Norte da cidade. O homem teria sido surpreendido quando chegava em casa. O suspeito do crime ainda não foi localizado, e o caso é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Antidrogas.

 

 

Polícias trabalham para frear números

Segundo a delegada regional da Polícia Civil, Sheila Oliveira, o aumento no número de homicídios aconteceu em todo o país. "Se compararmos os números de Juiz de Fora com cidades do mesmo porte, apesar do aumento, ainda temos um bom índice." Ela afirmou que relaciona o salto nos registros ao fortalecimento do tráfico de drogas na cidade e ao fácil acesso às armas de fogo. "A junção das delegacias especializadas de homicídios e tóxicos deve fazer cair estes números. Na maioria das vezes, os dois crimes estão relacionados."

A PM, que contabiliza somente as mortes ocorridas no local do registro da ocorrência, informou que seu banco de dados contabiliza 87 assassinatos entre janeiro e outubro deste ano. Em nota, a corporação diz que "62,8% das vítimas já tinham passagem pela polícia, sendo que destas, 13,2% eram menores de idade. O mesmo levantamento que mostra a reincidência criminal, também destaca o grande envolvimento de jovens com os crimes de homicídio." A PM destacou ainda que foram apreendidas 256 armas de fogo em Juiz de Fora nos três primeiros trimestres de 2013, montante 14,8% maior que o recolhido ano passado. "Além disto, destacam-se as ações realizadas por meio das patrulhas de Prevenção a Homicídios, por exemplo, atuantes em toda a cidade, nas áreas do 2º e 27º BPM, o que contribuiu, de forma imprescindível, para a diminuição e estabilidade da série histórica de crimes violentos."