Onda de assaltos violentos leva medo a taxistas da cidade
Num período de cerca de um mês, nove taxistas foram vítimas de assalto em Juiz de Fora. Na maioria dos casos, os crimes, além do prejuízo financeiro, resultaram em ferimentos provocados por facas, agressões e até mordida na face de um dos profissionais. Um taxista teve o rádio-transmissor do veículo danificado pelo ladrão, como forma de impedir o contato dele com a central. A onda de ocorrências criminais deixa a categoria apreensiva. O caso mais recente foi registrado na noite da última quarta-feira, por volta das 21h30, quando um taxista foi ameaçado com uma faca no pescoço, durante assalto no Bairu, Zona Leste. De acordo com o boletim policial, o condutor, 24 anos, contou que foi atender a um chamado no Bairro Santa Terezinha. Ao chegar ao destino solicitado, onde o passageiro disse que encontraria uma mulher, ninguém foi localizado. Assim, o homem solicitou que o taxista o levasse a uma pizzaria no Bairu. Contudo, quando o táxi trafegava pela Travessa Pedro Paulo, o homem, que estava no banco traseiro, sacou uma faca e a pressionou contra o pescoço do motorista, mandando que ele entregasse todo o dinheiro e o celular, além das chaves do veículo.
No dia 2 de outubro, foi registrado um dos casos mais graves, quando um taxista de 71 anos foi esfaqueado no abdômen durante assalto, no Bom Clima, na Zona Nordeste. O crime foi registrado na Avenida Otávio Dias Moreira, por volta das 17h. A vítima relatou que pegou um passageiro, na Avenida Rui Barbosa, em Santa Terezinha, com destino ao Bom Clima. Quando chegou ao local indicado pelo passageiro, o mesmo, armado com uma faca, anunciou o assalto, mandando o taxista entregar todo o dinheiro. O criminoso teria encostado a faca na barriga da vítima, que chegou a esboçar uma reação. O bandido, então, desferiu o golpe, subtraindo a quantia de R$ 90. Três dias depois, outro taxista, 55 anos, foi ferido a faca no braço e mordido no rosto. O crime foi no Santa Rita, também na região Leste. A vítima relatou que pegou o passageiro no Linhares e o levou até o ponto indicado, mas, no meio do caminho, ele pediu ao motorista para parar, momento em que anunciou o roubo com uma faca de açougueiro. O criminoso mandou que o taxista levantasse os braços e retirou do bolso da camisa dele o dinheiro. A vítima, ao tentar reagir, foi ferida no braço direito. O ladrão ainda mordeu o rosto do condutor, causando uma lesão. O homem fugiu levando R$ 200.
Em 30 de agosto, no Bairro Terras Altas, Zona Sudeste, outro profissional do táxi, 22 anos, foi ameaçado com um facão, durante assalto. O bandido roubou R$ 110, dois celulares e um GPS. Antes da fuga, ele desferiu golpes de faca contra o rádio transmissor do veículo, danificado o aparelho. Um profissional, que não quis se identificar, acha que sua categoria vive muito exposta e torna-se alvo fácil. A cada dia, vemos que a bandidagem só aumenta na cidade. São diversos casos de assaltos ao comércio, às residências e às pessoas nas ruas. Parece que não tem autoridade trabalhando para reverter esse quadro. Então, claro que isso reflete contra os taxistas, pois trabalhamos sob risco e somos presas para ladrões, desabafa.
‘Luz do pânico’ não surte efeito
Para aumentar a segurança dos taxistas, a Lei Municipal 1.877/05 garante ao profissional o pedido de identificação do passageiro, no período das 20h às 8h. Caso o usuário se negue a apresentar o documento, o condutor tem o direito de recusá-lo. O decreto 1.015/09 também possibilita, de forma facultativa, a instalação de um dispositivo luminoso que pode ser acionado pelos taxistas, como forma de sinalizar a situação de crime para quem está de fora do veículo. O equipamento é conhecido como luz do pânico. Entretanto, profissionais admitem não usar o recurso. Está louco. Se eu aciono uma luz dessa sozinho, num lugar ermo, e o bandido perceber, aí não volto vivo para casa, avalia outro taxista, que também prefere o anonimato.
O presidente da Associação de Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, também avalia que o dispositivo luminoso não surtiu o efeito desejado e não colaborou para diminuir a ocorrência de assaltos. Segundo ele, representantes da entidade sempre se reúnem com a Polícia Militar para tratar do assunto. A PM sempre nos atende e realiza operações a favor dos taxitas. O grande problema é que seu efetivo está pequeno e não tem como estar em todos os lugares. Hoje nossa frota possui 543 táxis, e o crime acontece em qualquer horário e lugar. Só pedimos que eles continuem com as operações Para Pedro, que são positivas, afirma Gonzaga, acrescentando que a associação orienta os profissionais a evitarem corridas a locais ermos, principalmente no período da noite; não dormirem dentro do veículo e recusarem passageiro, quando suspeitarem da situação.








