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Ato cobra apuração de denúncia


Por Guilherme Arêas

19/10/2012 às 07h00

Reitor se irrita após ser atingido no rosto por uma colher de plástico arremessada por um aluno

Reitor se irrita após ser atingido no rosto por uma colher de plástico arremessada por um aluno

Estudantes da UFJF fizeram uma manifestação no campus ontem em protesto contra a agressão sofrida por um aluno de engenharia elétrica, cometida, supostamente, por um dos vigilantes da universidade, há uma semana. Com apitos, tambores, cartazes e gritando palavras de ordem, os discentes bloquearam, por alguns minutos, o trânsito no anel viário (ver vídeo). Eles pediam a apuração do caso, além da revogação de uma portaria que impede a realização de eventos festivos no campus, bem como o consumo de bebida alcoólica. Os manifestantes foram até o prédio da Reitoria, onde o reitor Henrique Duque os aguardava. Ele prometeu apurar o caso, possivelmente por meio de uma sindicância que deverá ser aberta nos próximos dias. A conversa, até então pacífica, descambou para a exaltação dos ânimos após um dos alunos arremessar uma pequena colher de café de plástico. O objeto acertou o rosto do reitor, que ficou furioso e foi retirado do local por funcionários da UFJF. Logo após o protesto, parte dos estudantes se encaminhou para o Diretório Acadêmico (D.A.) da Faculdade de Engenharia, onde teria consumido bebida alcoólica, mesmo com a proibição. Desta vez, os vigilantes acompanharam de longe.

O aluno de engenharia elétrica denuncia ter sido agredido após tentar filmar a ação dos seguranças, empenhados para impedir uma reunião com cerveja no D.A. da Engenharia no último dia 11. Ele afirma ter sido perseguido por quatro vigilantes, derrubado no chão e agredido com golpes de cassetete. O graduando de 23 anos registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar e fez exame de corpo de delito na Polícia Civil. O laudo deve ficar pronto na semana que vem. O advogado dele, Marcelo Martins, protocolou ontem, junto à Reitoria, o pedido de apuração do caso. "Solicitamos a instauração de uma sindicância para apurar todos os fatos, a identificação dos agressores e, após a sindicância, que seja instaurado um processo disciplinar para punir os responsáveis." Se aberto o processo administrativo, a comissão formada por três servidores indicados pela Reitoria tem 30 dias – renováveis por igual período – para se posicionar sobre o caso.

Antes de ser atingido pelo objeto de plástico, o reitor Henrique Duque garantiu que a universidade vai apurar o fato, "doa a quem doer". "Não admito e repudio qualquer tipo de violência", reforçou. O reitor anunciou ainda que, até semana que vem, deve ser lançado um edital para aquisição de mais câmeras de vigilância. Atualmente, cerca de 200 dispositivos estão em funcionamento no anel viário do campus. Em nota divulgada no início da noite, a instituição voltou a negar que houve violência contra o estudante de engenharia. Sobre o episódio ocorrido na Reitoria, a nota informa que "o professor Henrique Duque lamenta profundamente que, embora, ele mesmo tenha se disposto a conversar pessoalmente com os manifestantes, um dos estudantes, interrompendo a fala do reitor, atirou em seu rosto um objeto de plástico. Na ocasião, o reitor reafirmou seu posicionamento contrário à violência e que, de modo recíproco, esperava também ser respeitado, o que não ocorreu". A UFJF afirma ainda que está estudando quais as providências serão tomadas a respeito dos fatos.

Reivindicações

Além da apuração da suposta agressão, os estudantes pedem a revogação da Portaria 333, que impede, temporariamente, a realização de eventos festivos no campus. A medida foi tomada pela UFJF após uma caloura ser estuprada durante uma festa com bebida liberada no Instituto de Artes e Design (IAD), em abril. "Essa portaria foi regulamentada de forma provisória, até que uma comissão regulamentasse a questão. Porém, até agora, não houve avanços", questiona o discente Felipe Fonseca, membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Os alunos lembraram ainda que em um restaurante licitado no campus é vendida bebida alcoólica. "No restante da universidade, os estudantes não podem nem confraternizar, num espaço onde os alunos têm que ter autonomia, que são as entidades representativas", reforça Felipe Fonseca. A administração do restaurante informou que, por contrato firmado com a UFJF, só vende bebida alcoólica aos fins de semana e feriados.

Sobre as reivindicações dos alunos, o reitor Henrique Duque justificou dizendo que precisa cumprir normas. "Estou e estarei sempre aberto para as reivindicações de vocês, atendendo e dando as respostas que são necessárias. Se algumas forem ao encontro daquilo que vocês desejam, tudo bem. Se não forem, é porque eu tenho normas legais do Conselho Superior."