Ato dá visibilidade à população em situação de rua
Intuito é contribuir para a mudança do olhar para as pessoas em situação de rua, por meio da aproximação com a sociedade
Visibilidade é a palavra-chave para pessoas em situação de rua e entidades que trabalham com este grupo nesta segunda-feira (19), Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. Na data em que é recordado o Massacre da Sé – ocorrido há 15 anos na cidade de São Paulo, quando 15 pessoas foram brutalmente atacadas na Praça da Sé -, o Calçadão da Rua Halfeld recebeu, durante todo o dia, ato de conscientização sobre as demandas desta parcela da população.
A iniciativa dá seguimento às discussões propostas pelas entidades que compõem o Fórum Municipal da Pessoa em Situação de Rua, que, na última quinta-feira, estiveram presentes na Câmara Municipal expondo desafios e propondo possíveis intervenções para garantir políticas sociais efetivas para a população de rua.

Nesta segunda, a luta travada em ambiente parlamentar passou para um dos pontos de maior movimentação de populares com o intuito de dar visibilidade à causa. Dessa forma, as reivindicações das pessoas em situação de rua e o enfrentamento ao estigma que o grupo carrega frente à sociedade foram expostos com jornais comunitários feitos por entidades de apoio e também com um café solidário, às 15h.
“É hora de as pessoas enxergarem a população em situação de rua como uma população que precisa de políticas públicas. Seja na saúde, na educação, na moradia, no acesso ao trabalho, à renda e à capacitação. É preciso que o município tenha uma política para essa população, para que possa, de forma intersetorial, efetivar plenamente a cidadania”, define Fabiana Rabelo, coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos. Fabiana explica que a ideia do café é promover a confraternização entre a população e as pessoas em situação de rua, além dos profissionais que lidam com elas, ajudando a mudar o olhar da sociedade.
Mudança almejada por Evandro Martins, 47 anos, que quer trabalho para ter acesso à dignidade. “Precisamos de emprego para realizar os nossos sonhos, para voltar para as nossas famílias, nossos filhos e ajudar a quem precisa de nós. Eu peço às autoridades constituintes dessa cidade que nos olhem com mais carinho e amor. As pessoas não ficam nas ruas porque querem, é pela dificuldade. Nós precisamos de oportunidade.”

Algumas das pessoas atendidas por equipamentos da Prefeitura, como o Centro Pop, se reuniram e, com alguns instrumentos em mão, improvisaram uma roda de samba. Entre eles, Luiz Carlos Tomaz, de 49, tocava um tambor. Ele também disse que faltam oportunidades. “Nós somos discriminados. Muitas vezes, estamos com as roupas limpinhas, mas não sabemos aonde vamos dormir, é muito difícil. Sem essas equipes, nós não seríamos nada. Eles nos educam, mostram o que podemos fazer para mudar.”
Xará do vocalista do grupo Raça Negra, ele deixa escapar o sonho de compor uma banda. “Quero ver se entro em um curso para melhorar. Ninguém aqui é cantor, nem nada, mas estamos todos com o coração aberto.” A educadora social de teatro do Centro Pop, Luciene Reis, explica que essa é uma oportunidade de tornar os moradores em situação de rua os protagonistas. “Buscamos por meio de dinâmicas, de rodas de conversa, o despertar de uma mudança. É uma situação, mas uma situação que se não trabalhada, se torna permanente. Precisamos nos dedicar a mostrar um novo caminho, para que eles não se acomodem.”









