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Pedestres se arriscam ao longo da linha férrea


Por Eduardo Valente

19/08/2011 às 07h00

Flagrante de pessoa caminha pelo trilho do trem

Flagrante de pessoa caminha pelo trilho do trem

O desrespeito às determinações de segurança na linha férrea que corta a cidade pode ser facilmente identificado. Embora muitos pedestres não vejam perigo em andar sobre os trilhos ou atravessar em locais não sinalizados, o risco de acidente é constante. De acordo com números obtidos pela MRS, apenas este ano, os maquinistas foram obrigados a acionar o freio de emergência 16 vezes para evitar algum tipo de tragédia, sendo duas com descarrilamento de vagões. No entanto, conforme o gerente-geral de Concessão e Arrendamento da empresa, Sérgio Henrique Carrato, devido ao peso e à velocidade, que não passa de 25 km/h no perímetro urbano, nem sempre é possível parar a locomotiva a tempo. A situação volta à tona um dia após um homem ter sido atingido por uma composição férrea, no Centro. O acidente deixou o trem parado por 40 minutos, impedindo a travessia em duas passagens de pedestres e uma de veículos. A vítima, de 38 anos, foi levada ao HPS com ferimentos no braço esquerdo. O homem passou por cirurgia e segue internado na sala de urgência em observação.

Nos últimos dias, a Tribuna flagrou abusos de pedestres nas linhas. Na semana passada, um homem foi encontrado andando sobre os trilhos próximo à Rua da Bahia, Bairro Poço Rico, Zona Sudeste. No final de julho, uma idosa também foi vista caminhando pela linha na altura do Bairro Barbosa Lage, Zona Norte.

Cenas como essas também podem ser observadas, diariamente, na área Central. A comerciante Elenita Barros, 52, proprietária de uma barraca instalada próxima à transposição, na Rua Benjamin Constant, conta que muitos se arriscam naquela região. "Estamos próximos ao albergue, e é grande a movimentação de dependentes de drogas ilícitas e pessoas que fazem uso de álcool. Alguns sentam na linha e não querem sair. É um abuso muito grande." O operador de telemarketing Jardel de Souza, 19, cruza a linha todos os dias e afirma que já presenciou diversas situações de risco. "Quando o sinal toca, avisando que o trem está próximo, muitos correm e chegam a passar bem perto das locomotivas."

De acordo com a assessoria da Prefeitura, acidentes como o desta semana reforçam a necessidade de intervenções, e apesar de os projetos de melhorias viárias já estarem prontos, ainda não há previsão de quando as obras serão iniciadas porque é aguardado a liberação de recursos por parte do Governo federal. Ao todo, serão construídos dois mergulhões (na Rua Benjamin Constant e próximo ao Terreirão do Samba), dois viadutos, na altura do Poço Rico e no Mariano Procópio, Zona Nordeste, e três pontes que completariam as obras (Bairro Ladeira, região Leste, Terreirão do Samba e Poço Rico).

A MRS, por meio do gerente-geral de Concessão e Arrendamento, disse que seis passarelas começarão a ser construídas na Zona Norte em 60 dias. Além disso, a proposta é que os muros, que estão sendo erguidos às margens da Avenida JK, cheguem ao Centro no próximo ano, quando passarelas também serão erguidas. Só na Zona Norte, o investimento da empresa é de R$ 10 milhões. Perguntado sobre a possibilidade de retirar os trilhos de dentro do município, Carrato afirmou que isso dependeria de recursos do Governo federal, já que as obras estão orçadas em aproximadamente R$ 500 milhões.