Relatório da Defesa Civil já apontava risco de queda de blocos rochosos no Paineiras

Documento indica instabilidade na encosta do Morro do Cristo, apontando necessidade de intervenções estruturais 


Por Nayara Zanetti

19/03/2026 às 15h38

morro do cristo Defesa Civil
(Foto: Felipe Couri)

Um relatório preliminar da Defesa Civil de Juiz de Fora, entregue à população na última terça-feira (17), já indicava risco de desprendimento de blocos rochosos na região do Paineiras, área próxima ao Morro do Cristo, antes da ocorrência registrada na última quarta-feira (18) nos fundos de um condomínio localizado na Avenida Olegário Maciel. 

O documento técnico, elaborado após vistorias na encosta, alertava para a possibilidade de queda de blocos rochosos devido às características geológicas do local e às condições de instabilidade agravadas pelas chuvas. Entre os principais pontos observados estavam a presença de blocos soltos, fraturas na rocha e sinais de movimentação, fatores que aumentam o risco de deslizamentos e quedas. 

Na quarta-feira, parte desse cenário se concretizou com o registro de queda de rochas na Avenida Olegário Maciel, a principal via da região. O caso reacendeu o alerta para áreas classificadas como de risco geológico no município, especialmente durante períodos de chuvas intensas. 

Segundo o relatório, a combinação entre relevo íngreme, infiltração de água e processos naturais de desgaste contribui para a instabilidade das encostas. O documento também reforça a necessidade de monitoramento contínuo e, em alguns casos, a adoção de medidas preventivas, como contenção, remoção de blocos instáveis e restrição de acesso em áreas mais vulneráveis. 

A Defesa Civil já havia destacado que episódios de chuva podem acelerar esses processos, aumentando a probabilidade de novos desprendimentos. O alerta ganha ainda mais relevância diante das previsões meteorológicas para o fim de semana, que indicam continuidade das precipitações, com alerta de chuva intensa publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para os próximos dias. 

Histórico do local 

O relatório também resgata que intervenções de estabilização na encosta do Morro do Cristo vêm sendo realizadas desde a década de 1970, com obras de contenção por meio de contrafortes de concreto em pontos específicos, além de ações de revegetação para reforço do solo. No entanto, o documento aponta que esse conjunto de medidas — que combinava soluções estruturais e vegetativas — pode ter perdido eficiência ao longo do tempo, especialmente devido à degradação provocada por fatores como incêndios recorrentes na área, o que compromete a proteção superficial do solo e contribui para o agravamento das condições de instabilidade. 

Após as chuvas de fevereiro que resultaram na morte de seis pessoas no Paineiras após deslizamento no Morro do Imperador, a Defesa Civil afirma que adotou uma série de medidas emergenciais na área, incluindo monitoramento diário das condições do maciço, que já identificou novas instabilidades em rochas e no solo. Também foram realizadas visitas técnicas com especialistas em geologia e geotecnia, incluindo profissionais ligados ao CREA-MG, Conder e ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), para avaliar possíveis intervenções estruturais. 

Além disso, foi solicitada a contratação de geólogo com experiência em desastres para inspeção detalhada das rochas — inclusive com uso de técnicas como rapel — e proposição de soluções imediatas de mitigação de riscos, bem como a elaboração de anteprojeto para estabilização global da área. 

Bloco rochoso que desaprendeu tinha cerca de 40 metros 

Sobre a ocorrência, o Corpo de Bombeiros informou que foi constatado “o desprendimento da parte superior de um elemento rochoso de grande porte, com aproximadamente 40 metros de altura. O material rolou e se depositou na base do próprio maciço.” Não houve registro de pessoas feridas. 

Após o ocorrido, equipes foram mobilizadas para avaliar a área afetada e adotar medidas de segurança. Os bombeiros, em avaliação inicial, verificaram que o fragmento rochoso desprendido encontra-se estável, não oferecendo risco iminente às edificações próximas. Como medida preventiva, foi feito o isolamento do local, com a delimitação de uma área de segurança. 

A reportagem da Tribuna esteve no local ontem, por volta das 20h30, e constatou a movimentação de moradores deixando o condomínio por precaução. 

A orientação é que motoristas e pedestres redobrem a atenção ao transitar por regiões próximas a encostas, principalmente durante e após períodos de chuva.