Foliões tomam avenida nos 40 anos da banda

Foliões seguiram cortejo puxado por Zé Kodak
Neste ano, São Pedro colaborou. Como garante o General da Banda Daki, Zé Kodak, o porteiro do céu preferiu ficar lá em cima, vigiando para que não chovesse. "No ano passado, ele veio brincar aqui embaixo com a gente, e deu no que deu", brincou o comandante da folia, referindo-se ao número reduzido de participantes em 2011, oito mil. Desta vez, o sol forte tirou o juiz-forano de casa, e, segundo dados da Polícia Militar, 25 mil pessoas acompanharam o cortejo, que terminou pouco antes das 17h, próximo à Catedral. Conforme a Funalfa, porém, cerca de 50 mil foliões transitaram pelos pontos do evento desde o início, às 10h. Os trios saíram com apenas 15 minutos de atraso, às 12h45.
Seria um desfile especial, e as pessoas sabiam disso ainda na concentração. "São 40 anos, não 40 dias", lembrou o Rei Momo Marcelo Portela, pouco antes de receber a chave da cidade das mãos do prefeito Custódio Mattos (PSDB), às 12h30. De acordo com Custódio, a Banda Daki representa a essência da festa juiz-forana. "É um momento aberto à participação popular, que resgata o carnaval de rua, assim como o Corredor da Folia", disse, destacando o evento pré-carnavalesco promovido desde o ano passado.
Satisfeito com a trajetória da banda, Zé Kodak afirmou não imaginar que, um dia, ela seria quarentona. "Começamos com uma simples reunião de amigos", mencionou. Se há fôlego para mais 40 anos? "O problema é que não somos como a tartaruga, não vivemos 400 anos." Sobre a tradicional "passarela", o General deixou claro que não pode haver mudanças. O superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, concordou: "A Rio Branco e o Largo de São Roque (local da concentração) são dois espaços simbólicos da cidade." Trajando uma fantasia batizada de "Tudo junto e misturado", Toninho comentou sempre prestigiar a abertura do carnaval local.
Esse também é o caso de personagens já considerados clássicos no evento. Ana Maria Martins, a Ana da Banda, está em seu 17º desfile. "Se soubesse que era tão bom, tinha começado antes." Ao seu lado, o gerente administrativo André Tavares, vestido de pierrô, defendia o resgate da festa clássica. "Faço isso há 25 anos na Zona da Mata e há seis na Banda Daki." Outra figura sempre esperada é a drag queen Isabelita dos Patins. Neste ano, havia dúvidas se ela viria, pois sofreu um infarto há seis meses. Segundo Isabelita, que não estava com os famosos patins por conta do peso, o mais importante é levar alegria e carinho ao público. "Adoro o carnaval daqui e até participei de alguns blocos ontem (sexta)." Já o professor Júlio Lopes, que em 2011 escolheu o figurino de Dálmata Bolsa Família, resolveu vestir-se de bolo de aniversário para comemorar seus 30 anos de avenida.
Criatividade e alegria
O fenômeno da internet "Menos a Luiza, que foi para o Canadá" encontrou espaço na irreverência da banda. Usando uma faixa com os dizeres "Luiza do Carnaval", o editor Célio Alves anunciava que estava de volta ao Brasil para vender barracos. O conhecido Zé do Penico, apelido do aposentado Walterlo de Almeida, também fazia referência à mania da web. "Se a Luiza está no Canadá, o Zé do Penico está na Banda Daki." Outra frase que se destacou em 2011 foi parar na avenida. "Ai, como eu tô bandida" – bordão da personagem Valéria, do programa "Zorra total", da TV Globo – era a fantasia do autônomo Wagner Dose. "O que faz sucesso tem que estar na folia."
Em meio às pessoas, um guarda-chuva multicores chamava a atenção. "É para proteger do sol, além de marcar a presença da diversidade no desfile", mencionou o fundador do Movimento Gay de Minas (MGM), Oswaldo Braga. O diretor do movimento, Marcos Trajano, completou: "Carnaval sem gay não é carnaval." Mais uma vez, grupos de amigos abusaram da criatividade na banda. O bloco "Bebassa bem loca", organizado pelo empresário Alex Abreu, contava até com corda de proteção. Em outro ponto, cerca de 15 pessoas, vestidas de anjo, acompanhavam um animado São Pedro. "Como o mundo vai acabar, já nos declaramos anjos e trouxemos São Pedro para facilitar nossa entrada no céu." Se Zé Kodak garantiu que o santo não viria, é provável que tenha mandado um representante.








