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Suspeita de maus-tratos a idosas é ouvida


Por Tribuna

18/12/2012 às 20h56

A mulher de 53 anos investigada por suspeita de maus-tratos a duas irmãs idosas, 78 e 86, prestou depoimento na manhã de ontem na Delegacia de Orientação e Proteção à Família. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Rolli, ela negou ter maltratado as mulheres e afirmou que trabalhava no apartamento da Rua Santa Rita, no Centro, como doméstica e não como cuidadora. Apesar disso, a mulher afirmou que ajudava a cuidar das moradoras, já que ambas teriam dificuldade de locomoção, e os parentes moram no Rio de Janeiro. Em relação ao dinheiro de aluguéis recebidos em espécie e aos valores descontados com cheques assinados por uma das vítimas, a suspeita informou que as quantias eram destinadas a despesas de alimentação e remédios, aluguel e compra de equipamentos, como maca e cadeira, além do pagamento de empregados.

"Ela alega que trabalha há quatro anos e meio na casa como doméstica e que, há cerca de oito meses, passou a cuidar também da outra irmã, que foi morar lá. Nega que tenha maltratado as senhoras. Também afirmou que as idosas não queriam ir morar com parentes no Rio de Janeiro, como a própria família já havia informado", disse Rolli. Segundo ele, uma irmã e uma filha da suspeita, que também estariam trabalhando na residência das vítimas, serão intimadas a prestar depoimento.

Conforme o delegado, o suposto desvio de dinheiro das idosas precisa ser apurado. "A mulher afirmou que descontou cheques, pelo menos quatro, no valor de R$ 10 mil, nos últimos oito meses. É uma quantia alta. Também eram entregues na casa cerca de R$ 4.800 pagos mensalmente por uma imobiliária. Vamos tentar obter o extrato da conta e analisar a necessidade de quebra de sigilo bancário. Quero ouvir o gerente do banco também." O titular ainda pretende colher o depoimento de três médicos que teriam prestado assistência às idosas. Já em relação à suspeita de maus-tratos, o delegado aguarda o prontuário médico das vítimas, internadas na Santa Casa, para exame de corpo de delito indireto. "A mulher alega que os hematomas sofridos por uma das senhoras foram em decorrência de quedas."

O advogado da investigada, Anderson de Paula Porto, destacou o fato de sua cliente ter sido contratada como doméstica. "Ela não tinha habilitação para ser cuidadora, mas acabou se vendo obrigada a cuidar de duas idosas. Tivemos acesso ao inquérito e vamos aguardar o término das investigações."