Novo bota-fora já pode ser usado no Grama

Um novo bota-fora poderá ser utilizado pelos caçambeiros e empresas de terraplanagem a partir de hoje em Juiz de Fora. O espaço está localizado na Rua das Flores, no Bairro Grama, na Região Nordeste, e estará aberto para uso a partir das 7h. A informação foi confirmada pelo advogado da Associação dos Transportadores de Resíduos da Construção Civil (Astrecc), Thiago Martinez, na noite de ontem, após reunião com o empresário locador do terreno. Também ontem o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) informou que o Executivo não irá mais se responsabilizar pelo processo de locação do terreno para descarte de resíduos da construção civil, tal como era feito há anos em Juiz de Fora. A justificativa é de que a Prefeitura já oferece um espaço devidamente licenciado, o Aterro Sanitário de Dias Tavares, que pode ser utilizado pelos caçambeiros. Além disso, o Ministério Público alertou o Município para evitar a participação no assunto. Na manhã de ontem, pela segunda vez em menos de uma semana, caçambeiros realizaram protesto, cobrando um novo bota-fora. Desta vez, após se reunirem no Terreirão do Samba, na Avenida Brasil, os caminhoneiros saíram em comboio pelo Centro para pressionar o fim do impasse.
O contrato de locação do novo terreno será feito diretamente com a associação. Ainda de acordo com o advogado, não houve unanimidade na decisão sobre o novo terreno entre os associados, em vista dos valores cobrados. “Como a demanda inicial está muito grande, o empresário concordou em cobrar R$ 25 por caçamba e tentar prorrogar esse preço até o final do ano. Posteriormente, o valor subirá para R$ 40, algo que desagradou alguns profissionais, que alegam ser um preço inviável. Vamos acompanhar ao longo dos próximos dias se os caçambeiros irão utilizar o novo local, mas lembrando que ele ainda não é definitivo. Buscamos outros espaços para que o preço fique mais em conta, e tal valor não seja repassado ao consumidor final”, explicou. Já com relação ao processo de licenciamento ambiental, Thiago explicou que a responsabilidade é do locador. A Prefeitura ainda não recebeu nenhum pedido, mas, segundo o secretário de Meio Ambiente, Luis Claudio Santos Pinto, tal procedimento poderá ser formalizado durante o uso do local.
Desde o dia 1º de novembro, com o fechamento do bota-fora da Cidade do Sol, que funcionava em terreno alugado pelo Município desde 2012, a categoria exigia um novo bota-fora. A alternativa de Dias Tavares era considerada inviável pelos empresários do setor em razão da distância e do preço cobrado por cada recipiente.
Com relação ao protesto de ontem, cerca de 48 caminhões saíram pela Avenida Brasil até o Manoel Honório e retornaram pela Avenida Rio Branco até o Carrefour, de onde voltaram ao Terreirão. Para chamar a atenção de populares, os motoristas trafegaram em buzinaço. O Pelotão de Policiamento de Trânsito (PPTran) acompanhou o manifesto, que sobrecarregou o tráfego da região central.
Responsabilidade do gerador
O prefeito reiterou ontem, em entrevista, que a atividade de locação do bota-fora deve ser feita entre os particulares interessados. “A responsabilidade de descartar o resíduo em um local adequado é do gerador. Quando assumimos a Prefeitura, havia este acordo com o proprietário do terreno na Cidade do Sol, que foi fechado. Diante disso, decidimos não viabilizar uma nova área, já que oferecemos uma licenciada em Dias Tavares. O Ministério Público nos recomendou não nos envolvermos mais no trâmite, e aumentarmos a fiscalização do descarte irregular.” O chefe do Executivo também garantiu que a nova área escolhida passará por fiscalização e análise da Secretaria de Meio Ambiente. Segundo a assessoria da pasta, ontem pela manhã, o secretário já esteve no terreno para verificar sua viabilidade. Na semana passada, outra área foi cotada na Estrada do Caracol, na Zona Norte, mas não houve negociação. Outro local na estrada de Caeté chegou a ser utilizado por um dia e meio para depósito, mas o uso também foi descartado.
Outro problema levantado pelo secretário de Meio Ambiente e pelo advogado da Astrecc refere-se à mistura de lixo residencial com os entulhos da construção civil. “Quando o cidadão coloca um lixo na caçamba, o preço dela fica mais caro na hora de descartar, porque configura como resíduo não inerte”, explicou o secretário. “A planilha de cálculos prevê um valor mais alto quando há esta mistura. A população precisa se conscientizar e não realizar tal prática, até mesmo para não precisar pagar mais caro”, completou o advogado.









