207 casais gays vivem juntos em JF

Pela primeira vez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) pesquisou o número de pessoas do mesmo sexo que vivem juntas. O dado, coletado no Censo Demográfico 2010, foi divulgado esta semana e revela que 207 juiz-foranos (0,04%) declararam viver nessa situação. Isso indica que quase metade dos 477 casais autodeclarados homossexuais na Zona da Mata moram no município. Mas a cidade mineira com o maior percentual de casais gays é Tiradentes, onde 0,14% informaram essa situação. Apesar disso, o número absoluto é pequeno e formado por apenas dez moradores que residem com outra pessoa do mesmo sexo. Ainda assim, a cidade ocupa o terceiro lugar no ranking nacional, ficando atrás de Águas de São Pedro (SP) com 0,18% e São João de Iracema (SP) com 0,17%.
Para o presidente do Movimento Gay de Minas (MGM), Marco Trajano, a inclusão do tema na pesquisa pode ser considerado um "avanço político significativo". "É o reconhecimento oficial do estado de que nós existimos enquanto casal. Certamente é uma vitória. Acho até o número grande se considerar o nível de homofobia que ainda existe no Brasil. O importante é que, a partir de agora, temos ferramentas para cobrar políticas públicas de promoção da cidadania LGBT."
Porém, na opinião de Trajano, o resultado encontrado em Juiz de Fora pode não ser o real, pois é possível que o número de homossexuais nesta condição seja maior. Ele credita o resultado ao preconceito e temor de revelar a condição aos pesquisadores. "Muitos ainda têm receio de assumir publicamente. Conheço várias pessoas que são casadas, mas, oficialmente, dizem aos amigos de trabalho ou familiares que apenas dividem o apartamento com outro amigo. Infelizmente, a homofobia ainda é uma realidade."
Ao comparar os números de Juiz de Fora com os da Zona da Mata, Trajano acredita que, além da cidade ser um polo atrativo, o resultado pode estar relacionado ao trabalho desenvolvido pelo movimento e às condições favoráveis ofertadas pelo município. "Temos a Lei Rosa e a Parada do Orgulho LGBT. Conheço vários casais de Muriaé e Leopoldina, por exemplo, que resolveram viver em Juiz de Fora porque aqui a liberdade é maior."
Menos filhos
Outro dado divulgado no novo pacote de informações do IBGE sobre famílias, nupcialidade e fecundidade é referente à quantidade de filhos por mulher. Dentre as mais de 145 mil juiz-foranas que são mães, quase 90 mil (o que representa 62%) tinham até dois filhos em 2010. A mesma situação foi registrada em Minas Gerais e no Brasil, confirmando que a opção em formar famílias menores é uma tendência. Outra característica comum é que quanto maior o salário e a escolaridade das mulheres, menor é o número de filhos (ver gráfico).
Conforme o documento do IBGE, a redução dos níveis de fecundidade nos últimos 50 anos foi a principal razão para a queda do ritmo de crescimento da população, que chegou a aumentar cerca de 3% ao ano na década de 1950, tendo reduzido para 1,17% na última década. A fecundidade influencia também na mudança da estrutura etária populacional (como pode ser visto na pirâmide etária de Juiz de Fora), que se apresenta mais envelhecida, em função do aumento proporcional de idosos e diminuição de crianças. No Brasil, a taxa de fecundidade (número médio de filhos que teria uma mulher ao final do seu período fértil) caiu de 6,16 em 1940 para 1,90 em 2010.







