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Abandono de animais aumentou em 20% em Juiz de Fora

Vereadores apontam problema de superlotação e defendem flexibilização do horário de funcionamento de Canil Municipal


Por Nayara Zanetti, estagiária sob supervisão de Luciane Faquini

18/07/2021 às 07h00

canil juiz de fora
Impossibilidade de realização de feiras e recebimento de visitas diminuiu as doações na pandemia (Foto: Carlos Mendonça/PJF)

Uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que, em 2020, o Brasil tinha mais de 30 milhões de animais em situação de abandono. O cenário em Juiz de Fora não se distancia dessa realidade. De acordo com a assessoria do Canil Municipal, o abandono de animais aumentou aproximadamente em 20% na cidade durante a pandemia. Tais dados refletem no crescimento do número de cães e gatos acolhidos e, consequentemente, na demanda em relação à estrutura e funcionamento do canil.

No entanto, a assessoria informou que as impossibilidades de realização de feiras e recebimento de visitas foram o que mais impactou neste período, diminuindo significativamente as adoções realizadas no canil.

O número de denúncias envolvendo maus tratos a animais também cresceu, observa a vereadora e ativista da causa animal Kátia Franco (PSC). “Nós percebemos um aumento expressivo no número de denúncias envolvendo os maus tratos a animais. E, na maioria das vezes, esses animais acabam indo para o canil, onde estarão condenados a ficarem o resto da vida.”

A vereadora estima que, atualmente, o canil abriga 600 animais além da capacidade máxima, que é de 320. “Em baias onde cabem 5 animais, estão vivendo 20, amontoados”. Ela comenta que os problemas vão para além da superlotação. “Temos, por exemplo, a falta de efetivo – precisamos de mais veterinários, atendentes, dentre outros serviços que se façam necessários – e o funcionamento deveria ter seu horário ampliado ou até 24h.”

Promessa de ampliação

Em abril, a prefeita Margarida Salomão visitou o canil e notificou que estava prevista uma ampliação do espaço para abrigar melhor os animais. Naquele momento, o local contava com 70 baias para cães, quatro gatis e quatro currais. A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura que informou sobre as ampliações que serão iniciadas em breve e já estão sendo realizados levantamentos para identificar as demandas necessárias.

A ampliação ajudaria na ambientação do animal para que possa esperar de forma digna até ser adotado, comenta a vereadora. O vereador Marlon Siqueira (PP) também alerta que, para além de se pensar numa ampliação, é necessário investir em castração e campanhas educativas de adoção responsável e contra os maus-tratos. “Medidas como essa, impactam positivamente e diretamente no número de animais em situação de rua”, completa.

Necessidade de flexibilização do horário

O canil é um lar temporário, por isso, é fundamental que os animais sejam acolhidos e bem cuidados, mas também é importante fomentar a adoção. E a superlotação é um problema recorrente na cidade. Para solucionar esta questão, a Secretaria de Comunicação (Secom), em parceria com o Canil Municipal da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), criou a campanha Me Adota Aí, em fevereiro deste ano, para promover a adoção de cães e gatos que estão abrigados no Canil Municipal. De acordo com o site da campanha, são mais de 800 animais precisando de um lar e, até o momento, já foram adotados 103.

“Apesar de muitos esforços de comunicação que venho acompanhando de perto na divulgação dos animais lá abrigados, é necessário melhorar os números de adoção, criar políticas públicas para promover e incentivar bons tutores. Acredito que esse é o caminho, e o resultado final para vencermos a superlotação, que pode gerar mais brigas, disseminação de doenças e até implicar em zoonoses”, afirma Marlon.

Nesta quinta-feira (15), o vereador fez um requerimento à Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF), solicitando a visita de voluntários aos eventos de adoção no Canil Municipal, assim como a realização destas ações nos finais de semana. Segundo ele, os protetores passaram a ser parceiros da administração do espaço e promotores da adoção, tanto presencialmente quanto pelas redes sociais.

Kátia reforça a importância da abertura do Canil para visitação nos fins de semana, além de estender o horário de funcionamento para atrair o público que não consegue ir no horário comercial. “Como as pessoas vão se estão trabalhando durante o horário de atendimento? É preciso que não só o horário do canil se flexibilize para receber esses visitantes, como também haja um espaço público para que as pessoas tenham a facilidade de se deslocarem e escolherem um amigo”, ela completa.

Horário de funcionamento

Segundo o Canil Municipal, os serviços de resgate, atendimento e recuperação de animais estão funcionando normalmente. Há expectativa de ampliação do horário de atendimento aos sábados, entre 8h30 e 11h, mas as datas ainda não forma definidas. Os interessados em adotar um animal podem entrar em contato pelo telefone (32) 3225-9933, de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 12h às 16h30 para agendar a visita.