Juiz de Fora tem desabastecimento de testes na rede particular

Laboratórios que ainda possuem kits exigem indicação médica para fazer exames


Por Leticya Bernadete (colaborou Gabriel Silva, estagiário sob supervisão da editora Luciane Faquini)

18/03/2020 às 07h10- Atualizada 19/03/2020 às 09h38

Em meio à pandemia do coronavírus, com dois casos da doença confirmados na cidade, juiz-foranos têm relatado a dificuldade para realização de exames no município, bem como desencontro de informações quanto aos procedimentos em casos de manifestação de sintomas da doença. Conforme unidades e laboratórios particulares do município, há desabastecimento dos kits para teste do coronavírus, seguindo uma tendência a nível mundial. Na rede pública, a Tribuna solicitou informações à Secretaria de Saúde (SS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), entretanto, não obteve retorno até o fechamento desta edição. Quanto ao atendimento, desde esta terça-feira (16), unidades hospitalares têm tomado medidas restritivas, entre outras alterações no funcionamento de serviços.

Relatos de leitores à Tribuna dão conta de que não há kits necessários para o teste do coronavírus em unidades de saúde particulares de Juiz de Fora. A reportagem verificou que os exames para detectar a doença ainda não estão sendo realizados em alguns estabelecimentos. O Côrtes Villela, por outro lado, já realiza os testes, entretanto, está passando por desabastecimento, consequência da demanda a nível global que acaba impactando no fornecimento dos materiais a nível local. “Existe grande desabastecimento de kits no mercado mundial, e o Brasil passa pelo mesmo problema”, aponta o médico e diretor técnico do laboratório, Ricardo Villela Bastos.

TESTE corona
Desabastecimento é consequência da demanda a nível global (Foto: Divulgação/Josué Damacena (IOC/Fiocruz))

Segundo Bastos, os kits estão sendo liberados paulatinamente, em reposição às remessas. A situação tem ocorrido porque, quando começaram a surgir as primeiras suspeitas da doença no país, muitos serviços de exame estavam sendo realizados “de maneira não criteriosa”. “Começou a fazer uma série de exames em pacientes que não tinham quadro clínico sugestivo, sem contato com pessoa com histórico da doença e, com isso aumentou a demanda”, exemplifica. Com a adoção de critérios para realização dos testes, como processo de triagem médica, o diretor técnico do laboratório acredita que a demanda espontânea dos exames irá diminuir, normatizando o serviço. O Laboratório Côrtes Villela realiza os exames apenas a partir de solicitação médica.

A Unimed Juiz de Fora informou que está seguindo as diretrizes e normativas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), “neste momento em que todo o país enfrenta o desabastecimento geral dos kits para o diagnóstico do novo Coronavírus (Covid-19)”. Segundo a empresa, o exame para detecção da doença está coberto pelo Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, seguindo protocolos específicos, fundados em cobertura mínima obrigatória para os beneficiários.

“Enfatizamos que a Unimed Juiz de Fora segue a cobertura obrigatória para consultas, internações, terapias e exames que podem ser empregados no tratamento de problemas causados pelo Coronavírus.” Assim, seguindo a ANS, no cenário de escassez dos kits, os exames devem ser realizados apenas em casos com indicação médica. Cabe ao profissional avaliar o paciente, seguindo as diretrizes definidas pelo Ministério da Saúde sobre os casos enquadrados como suspeitos ou prováveis, para solicitar o teste.

A Tribuna questionou a Secretaria de Saúde da Prefeitura sobre a disponibilidade de kits para testes da doença na rede pública, entretanto, não teve retorno até o fechamento desta edição. A reportagem também interrogou sobre os procedimentos para realização dos exames e o acompanhamento daqueles que são realizados nos laboratórios particulares.

Em Minas, só há um laboratório credenciado

Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que não responde por hospitais particulares, entretanto, esses laboratórios podem realizar os exames caso sejam capacitados. Do contrário, podem realizar a coleta e enviar as amostras para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen).

Quanto aos procedimentos para atendimento, o Ministério da Saúde informou que a diretriz é que os profissionais devem utilizar equipamentos de proteção individual, como luvas, máscaras e toucas, ao examinar pacientes com sintomas de coronavírus, solicitando testes para aqueles que apresentam quadros agravados. O órgão reforça que cada unidade federativa tem autonomia para tomar decisões dentro de seu plano de contingência.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) explicou que, em Minas, até o momento, apenas o laboratório privado Hermes Pardini tem o resultado reconhecido como oficial. Caso os exames sejam realizados por outros laboratórios privados, é necessária homologação pela Fundação Ezequiel Dias (Funed).