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Crônica: De portas abertas


Por Maria Helena Sleutjes

17/11/2013 às 07h00

No dia em que o Museu Mariano Procópio reabriu suas portas, nuvens baixas cavalgavam o céu de Juiz de Fora. Neste dia não choveu.

Juvêncio saiu de casa hipnotizado pela notícia e se colocou diante da porta do Museu, agora aberta. Não podia acreditar. Já havia se passado seis anos sem que pudesse entrar.

Olhou ao redor e viu aquele sítio aprazível, repleto de árvores, plantas e flores, os caminhos recortados, finamente desenhados, e, no lago, o casal de cisnes. Diante de tanta beleza, ajeitou o corpo, passou as mãos pelos cabelos, esticou o olhar como se quisesse desvendar os mistérios do tempo nos desejos que outrora levaram um homem a querer preservar estas memórias.

Entendia pouco de museus, mas gostava. Pensou alto – Museu… Casa das musas, parte do palácio grego destinada aos sábios e filósofos. Museu… Entidade viva. Muito mais viva que a vida de agora que escorre em velocidade incontida. Sentiu saudades de si. 

Fez menção de entrar, mas, antes, examinou sua própria história e as ligações com a história contada por este Museu. Tanta coisa! O tempo em sua mente se cristalizou na figura de D. Pedro II e sua comitiva, para mostrar a ele que o presente tinha passado e assim, provavelmente, poderia ter futuro.

Respirou fundo e saboreou aquele sentimento de pertencimento, pura magia que dá sentido ao cotidiano. Viu- se mais firme, mais bonito, merecedor de si mesmo e parte integrante da cidade. Quis levá-la consigo por onde fosse. 

Então, pé ante pé, em câmera lenta… Revisitou-se.

Maria Helena Sleutjes – Carioca, radicada em Juiz de Fora, é membro da Academia Juizforana de Letras, com vários livros publicados. Participa de várias antologias poéticas no Brasil e na América Latina. É fundadora e coordenadora do Grupo Café com Poesia (e Arte).