JF libera carona em motofrete

Settra diz que vagas exclusivas para motofretistas devem ser criadas até final de setembro
A partir deste sábado, os motofretistas de Juiz de Fora poderão transportar carona quando não estiverem equipados com dispositivo de carga móvel (baú). A decisão foi tomada em reunião realizada nesta sexta-feira (17), sendo a ata assinada por representantes das polícias Civil e Militar, do Detran, da Settra, além de representantes de empresas de inspeção veicular. Mesmo os profissionais que possuem no CRLV a inscrição para apenas um lugar na moto, não serão multados pelos agentes de trânsito e policiais militares. A subsecretária da Settra, Roberta Ruhena, reitera a decisão. "Esse é um acordo entre a Settra e a PM." Segundo a assessoria da Polícia Civil, a atualização do número de lugares será feita no momento da emissão de um novo documento. Ainda segundo a corporação, os motofretistas não irão pagar nenhuma taxa extra nesse processo.
A liberação do carona foi uma das reivindicações do protesto realizado pela categoria no último dia 10. Mais de 200 motofretistas fizeram uma manifestação no Centro, causando retenções por cerca de duas horas nas avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas. A classe também reivindicou áreas de carga e descarga para as motocicletas com emplacamento vermelho. "Precisamos desses espaços principalmente na Rio Branco e na Getúlio Vargas. É difícil encontrar vagas para fazer uma simples entrega de 15 minutos", enfatizou o motofretista Guilherme Augusto Cardoso, 27 anos. Conforme já foi informado pela Tribuna, a implantação das áreas de carga e descarga está em estudo pela Settra. Roberta adiantou que as mesmas serão criadas a partir de vagas de motos ou de carros já existentes. "Ainda não há locais específicos, mas a expectativa é que estejam em funcionamento já no final de setembro."
Outra reivindicação da classe diz respeito ao transporte de latas de tinta que, segundo a resolução do Contran, estaria vetado. No entanto, de acordo com a ata assinada nesta sexta-feira (17), ainda não está claro o tipo de produto que deve ser considerado proibido. A assessoria da Polícia Civil informou que um novo encontro deve ocorrer em 60 dias, quando esse quesito será retomado. Já a subsecretária explica que uma solicitação será enviada ao Denatran solicitando esclarecimento acerca do artigo 12 da resolução. Nesse período, de acordo com a Polícia Civil, fica permitido o transporte de latas de tinta.
Regularização de placas
Ainda conforme a ata, ficou definido que os motofretistas devem regularizar seus veículos, ou seja, adquirir a placa vermelha, também em um período de 60 dias. Já o curso especializado, que independe do emplacamento, deve ser concluído até fevereiro de 2013.
Outro aspecto debatido foi o serviço de entrega mantidos pelas próprios por empresas e não terceirizados. Segundo a ata, nesse caso, não existe a necessidade do emplacamento especial, já que não se trata de uma categoria de aluguel. No entanto, conforme salienta Roberta, o condutor continua tendo que fazer o curso. "Só se enquadram nesse aspecto as motocicletas registradas em nome da empresa." Seguindo a resolução, a ata proíbe a utilização de mochilas e bolsas por motofretistas. "Não é permitido dispositivo de carga no próprio corpo. Apenas no veículo." Os condutores têm 60 dias para se adequarem.
Repercussão
Entre os profissionais, o clima de satisfação em torno da liberação do transporte do carona é alta. No entanto, em outros pontos prevalece a incerteza. "E se eu for para outra cidade? Serei multada, já que a ata vale apenas em Juiz de Fora", questiona a presidente do Sindicato dos Motofretistas, Mazza Dias. Ela e outros representantes da classe se reuniram na Settra e receberem a ata. "Não concordo com as duas inspeções anuais. Antes era apenas uma. Agora, temos que pagar cerca de R$ 240 por ano." Mazza aponta para a necessidade de mais discussão, principalmente pela ausência do convite aos representantes da classe no momento de confecção da ata. "Não nos consultaram. É uma falta de respeito. Quem está dentro da profissão sabe realmente a necessidade dela." Motofretista há 13 anos, Sérgio Luiz de Oliveira, 31, avalia que a ata ainda está muito vaga. Ele também se queixa da quantidade de vistorias. "No geral, a ata foi positiva. Mas vamos ver daqui para frente", enfatiza.








