Famílias com casas interditadas no Bairro Progresso não conseguem acesso a benefícios oferecidos pelo município
Justificativa para a não concessão é de que a Rua Doutor Antônio de Souza Ferreira não está na listagem oficial da Defesa Civil
Os moradores da Rua Doutor Antônio de Souza Ferreira, no Bairro Progresso, Zona Leste de Juiz de Fora, afirmaram estar sem acesso aos benefícios oferecidos pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) aos atingidos pelas chuvas de fevereiro. As famílias, que tiveram seus imóveis interditados pela Defesa Civil, disseram que, ao consultar os órgãos públicos, foram informadas de que a rua não constava na listagem oficial das vias evacuadas no município.
Em nota, Prefeitura de Juiz de Fora informou que qualquer auxílio pode ser solicitado mediante apresentação do termo de interdição do imóvel, não sendo necessário que a rua conste na listagem de ruas evacuadas da Defesa Civil.
Sensação de desamparo
Apesar da resposta da Prefeitura, os moradores ouvidos pela Tribuna relatam uma realidade diferente. Segundo eles, a ausência da rua na lista oficial da Defesa Civil, com indicação de evacuação das residências, tem dificultado o acesso aos benefícios, aumentando a sensação de desamparo. Igor Fernandes, de 29 anos, é proprietário de uma dos sete imóveis interditados pela Defesa Civil. “A gente está aqui sem auxílio nenhum da Prefeitura, desde o acontecido do dia 23 de fevereiro. Tudo que foi feito aqui, questão de lona, de fechar a rua, foi por conta nossa”, explica.

Segundo Igor, os moradores do local já compareceram em diversos pontos do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e do Departamento de Informação Geral e Atendimento (Diga) em busca de explicações sobre o motivo da Rua Doutor Antônio de Souza Ferreira não estar na listagem oficial da Defesa Civil, mas sem sucesso. “É um jogo de empurra, ninguém sabe resolver. E a gente tá totalmente desamparado, não tem pra onde ir, idoso, criança. A vida mudou totalmente, a rotina. Tem gente que teve que pagar aluguel que não contava, não tem com quem deixar a criança, que às vezes ficava com o avô, que ficava em casa, teve gente que teve que mudar de cidade. É um total descaso”, lamenta.
Para tentar resolver a situação, os moradores tentaram entrar em contato com a Defesa Civil, seja para incluir o trecho da rua em que as casas foram interditadas na listagem oficial ou para uma nova vistoria nas residências, mas não obtiveram retorno. “Nada de atualização, de vir fazer uma reavaliação sobre o estados das casas e para renovar o laudo. O último que eu tenho em mãos foi do início de março, então já tem muito tempo. Depois disso, alguma coisa pode ter acontecido, só que não tem uma avaliação, e a gente está simplesmente a Deus dará”, afirma Igor.
Sem os benefícios ofertados para as vítimas da calamidade, os moradores tentam seguir a sua rotina diária. “A gente precisa desse dinheiro, ou minimamente, de uma resposta da Defesa Civil, se a gente pode ficar ou se não tem mais o que fazer. Quando você recebe o auxílio, você consegue, depois de um laudo, uma perícia detalhada de quem é responsável, e, de repente, fazer um muro, fazer alguma contenção, para evitar que o barranco desça mais”, diz Igor.
Linha de ônibus segue suspensa
Após os deslizamentos, temendo um agravamento da situação da rua, os moradores solicitaram à Secretaria de Mobilidade Urbana (SMU) que o trânsito de veículos pesados, como ônibus e caminhão, fosse suspenso, pedido que foi atendido. Entretanto, apenas os coletivos da linha 202 – Progresso deixaram de passar na via, que segue com fluxo intenso de caminhões desde então, mesmo com a sinalização vertical instalada no começo da rua. “Tem idoso que não consegue pegar o ônibus porque tem dificuldade de locomoção. Tem que descer o morro, subir o morro, depender de carona de onde alguém tinha passado no momento”, relata Igor.

Sobre a passagem de caminhões na via, a PJF informou que a Rua Doutor Antônio de Souza Ferreira não está interditada, mas possui restrição para circulação de veículos pesados. “À época, a sinalização foi implantada no local, podendo ter sido removida irregularmente”, afirma a nota.











