Bebê queimado é sepultado no Cemitério Municipal
O bebê Mateus Henrique dos Santos, de 9 meses, que morreu carbonizado dentro de casa, foi sepultado ontem no Cemitério Municipal. A tragédia aconteceu, em uma área de invasão no Bairro Cidade do Sol, Zona Norte, na terça-feira, quando a mãe, 30 anos, teria saído de casa, para buscar leite em uma creche. A vítima e dois irmãos – uma menina, 4, e um menino, 2 – teriam ficado sozinhos. No incêndio, os dois mais velhos conseguiram escapar por brechas na porta. Quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local, as chamas já tinham tomado todo o barraco, sendo impossível salvar a criança. A mãe foi autuada em flagrante, na delegacia de Santa Terezinha, sendo encaminhada à Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, a perícia deve concluir o laudo que apontará a causa do incêndio na próxima semana.
Conforme a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), a mãe não pode participar do sepultamento do filho, por medida de segurança, uma vez que poderia ter sua integridade física comprometida, já que o caso provocou grande comoção. Na visão da secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia e professora de criminologia da Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Vera Malaguti, a prisão da mulher, logo após a perda do bebê, reflete a tendência do sistema de responsabilização dos pais da classe mais pobre pelas desgraças que acontecem com seus filhos. Criminalizar a pobreza já é absurdo, mas trabalhar uma tragédia dessas por meio da questão criminal é loucura punitiva. Uma pessoa que passa por uma situação dessa tem que ser acolhida, ajudada. Não há justificativa jurídica que legitime essa prisão. Para a especialista, a decisão depende do perfil da autoridade responsável.
O Conselho Tutelar Norte informou ontem que a tia paterna que tem a guarda provisória dos dois irmãos do bebê manifestou o desejo de ficar com os sobrinhos. A vontade da mulher foi comunicada à Vara da Infância e da Juventude. A instituição faz um alerta à população em relação à permanência de crianças sozinhas em casa. Segundo a conselheira Myriam Lopes, em casos assim, não é só a família que tem responsabilidade, mas toda a sociedade. Em situação suspeita, os vizinhos devem denunciar ao Conselho Tutelar. Se o abandono for constatado de fato, a Polícia Militar deve ser acionada.








