Sinalização é ignorada em rotatórias no Aeroporto
"É difícil ver algum veículo que respeite a sinalização." A observação é do vendedor Gilsimar Silva, 23 anos, que trabalha próximo à rotatória em frente ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, no Bairro Aeroporto, na Cidade Alta. Ele diz que costuma perder a conta de quantos motoristas ignoram as sinalizações horizontal e vertical do cruzamento entre as vias Linduíno Vieira dos Reis, Álvaro José Rodrigues e José Apolônio dos Reis. Os abusos se tornam mais graves, já que a área é frequentemente utilizada por instrutores de autoescola para aulas. A reportagem esteve no local e flagrou o desrespeito às demarcações que dividem as pistas, as indicações de "pare" e "dê a preferência" e a mão correta de direção (confira vídeo no site da Tribuna).
"É comum os carros descerem pela Liduíno e, ao invés de contornarem o balão, seguem direto em direção à Álvaro José Rodrigues, inclusive, passando por cima da zebra", diz o mecânico Geovane Luiz da Cruz, 32, que sugere como possível solução a construção de um trevo elevado no local, o que impediria as irregularidades relacionadas à sinalização horizontal. No momento em que a reportagem esteve no ponto, um veículo que saía da José Apolônio dos Reis entrou na Liduíno pela contramão, ignorando, além das marcações no asfalto, a placa de contramão afixada em um poste na esquina das vias.
Para o professor Vinícius Damasceno, 37, a situação vai além da simples infração de regras básicas de trânsito. Ele conta que, em um acidente, há três meses, sua esposa, que dirigia um Sandeiro, foi lançada para fora da rotatória após um veículo que vinha do Bairro Marilândia bater em seu carro. "O motorista passou pela contramão, por cima da rotatória e acertou a lateral do veículo. Sorte que minha filha de 3 anos não estava no banco de trás." O professor, que mora na região, diz já ter enviado e-mail e comunicado à Prefeitura por meio do Twitter, pedindo providências, mas não teve retorno. "Poderiam ao menos colocar olhos de gato mais altos." Em outra ocasião, ele narra que quase atingiu um motociclista que atravessava a rotatória. "Ia acertá-lo de lado se ele não tivesse desviado."
Infração
Conforme o artigo193 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), transitar com o veículo em ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais, acostamentos, marcas de canalização e divisores de pista de rolamento é considerado infração de caráter gravíssima, com perda de 7 pontos na CNH e multa de R$ 574,61. Já no caso dos veículos que trafegam na contramão da via e da rotatória, o artigo 186 qualifica o abuso como sendo infração grave, com perda de 5 pontos na CNH e multa de R$ 127,69. Em relação ao trânsito do veículo em via com sinalização de regulamentação de sentido único de circulação, a infração é considerada gravíssima, com multa de R$ 191,54.
Propostas
Para solicitar intervenções na via, como no caso da sugestão do mecânico Geovane Luiz da Cruz, a Settra disponibiliza o telefone 3690-8218. Após a solicitação, um técnico vai ao local para verificar a possibilidade da instalação. Caso o parecer seja positivo, as equipes realizam o serviço. A secretaria ressalta que existe um projeto em análise para o trecho que transformaria a pintura horizontal em canteiros físicos. O projeto será encaminhado até o final do mês de setembro para a Secretaria de Obras, responsável pelo serviço. No entanto, ainda não há prazo definido para execução.
Insegurança para atravessar no trecho
Além do problema na rotatória, a população do entorno também se queixa do excesso de velocidade de veículos nas vias da região. Antes do crescimento urbano da Cidade Alta, as mesmas ruas tinham um fluxo de veículos reduzido. "Não tem quebra-molas e nem segurança para atravessar", destaca a empresária Maria Otila Gomes Afonso, 50 anos, que possui um restaurante na Rua José Apolônio dos Reis. O professor Vinícius Damasceno também se queixa. "A Álvaro José Rodrigues é rota de caminhões pesados que carregam material de construção. Passam, pelo menos, 20 veículos por hora, em alta velocidade."
Para o comerciante Moacir Gomes dos Santos, 47, a situação se torna mais grave pela circulação de crianças no trecho em que a via faz esquina com a Rua Professor José Vilas Bolçadas, já no Bairro Santos Dumont. "O local é perigoso por causa das crianças que descem da escola. Parte da rua não possui calçadas. Há uns três meses, uma criança foi atropelada." As pessoas também alertam para o número de carros estacionados na Álvaro José Rodrigues, o que prejudicaria a travessia do pedestre, já que a passagem de veículos pesados é dificultada. A assessoria de comunicação da Settra informou que não há reclamações sobre o excesso de velocidade no trecho.







