Obras do Hospital Regional serão retomadas nesta sexta
As obras do Hospital Regional de Urgência e Emergência de Juiz de Fora serão retomadas nesta sexta-feira (16), dez meses depois da paralisação dos trabalhos. O contrato para a execução de obras e serviços de engenharia relativos à continuidade da construção foi publicado nesta quinta (15) no Diário Oficial do Município. A unidade está com 85% da estrutura concluída, já tendo sido gastos cerca de R$ 28 milhões. Agora, o contrato publicado possui valor de R$ 63.172.358,02 para a execução do restante da obra. O valor inicial previsto para toda a obra era de R$ 42 milhões. No entanto, de acordo com a Secretaria de Obras, o montante foi acrescido devido a readequações no projeto anterior que estava defasado, além de ter sido incluído o prédio onde funcionará o Complexo Regulador do Samu da Rede de Urgência e Emergência e alguns equipamentos iniciais. Ainda segundo a secretaria, 70% do valor serão destinados para as instalações, a parte mais onerosa da obra.
As empresas responsáveis por essa execução passam a ser a Construtora Waldemar Polizzi e a Comin Construtora, que possuem o prazo de 18 meses para conclusão do serviço. A previsão é que, até dezembro de 2014, o prédio esteja concluído. Um atraso de três anos, já que a previsão inicial era para que o hospital estivesse em funcionamento em dezembro de 2011. Após o término, a Prefeitura realizará nova licitação para aquisição dos equipamentos restantes para a abertura da instituição hospitalar.
O Hospital Regional cumprirá um papel fundamental para a Rede de Urgência e Emergência da Macrorregião, que será administrada pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Sudeste (Cisdeste). A previsão de início dos trabalhos é para o final deste ano. Com função de retaguarda, a unidade não realizará os atendimentos da chamada porta aberta. Os pacientes que precisarem de cuidados após o atendimento de emergência serão encaminhados para o local para que os leitos emergenciais sejam desocupados.
Rede inclui 20 hospitais de JF e região
O Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Sudeste (Cisdeste) já definiu os 20 hospitais (ver quadro), além do Hospital Regional que está sendo construído, que farão parte da Rede de Urgência e Emergência da Macrorregião Sudeste de Minas Gerais. Dentre eles, estão três unidades de Juiz de Fora, o Hospital Maternidade Therezinha de Jesus, que atenderá os casos de trauma e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), a Santa Casa de Misericórdia, que receberá os casos de infarto agudo do miocárdio, popularmente conhecido como ataques cardíacos, e o Hospital Dr. João Felício, voltado para os casos de AVCs e cardíacos.
Os hospitais estão divididos em quatro níveis, de acordo com sua capacidade técnica: urgência nível IV (situado em áreas de vazios assistenciais que estejam acima de 60 minutos de uma referência hospitalar microrregional), urgência nível III (de referência populacional acima de cem mil habitantes), geral de urgência nível II (acima de 200 mil habitantes), referência ao trauma nível I (acima de um milhão de habitantes em funcionamento 24 horas por dia), referência às doenças cardiovasculares nível I (acima de 600 mil habitantes em funcionamento 24 horas por dia), referência ao acidente vascular cerebral nível I (acima de 600 mil habitantes em funcionamento 24 horas por dia) e de urgência polivalente (unidade macrorregional de referência populacional acima de um milhão de habitantes em funcionamento 24horas por dia). Os hospitais de Juiz de Fora são referência para uma população de 1,6 milhão de habitantes.
Samu
Em um prédio anexo ao Hospital Regional funcionará o Complexo Regulador do Samu. Assim, todas as ligações feitas para o 192 serão atendidas por essa central, que ficará responsável em enviar o tipo de socorro necessário em cada caso e encaminhar o paciente para o hospital que atenda a suas necessidades. De acordo com o secretário-executivo do Cisdeste, João Paulo Damasceno, essa triagem dará melhor tempo de resposta aos socorridos e desafogará hospitais, como os de pronto socorro.
A Rede de Urgência e Emergência auxiliará não somente a área da saúde, como também fornecerá um panorama das áreas de cada município em que há maior acionamento do Samu. Segundo Damasceno, serão enviados periodicamente, aos prefeitos dos 94 municípios consorciados, relatórios informando onde há maior concentração de determinadas ocorrências. "Por exemplo, em um mês, houve muitos atendimentos de acidentes de trânsito na Rio Branco. Assim, a Prefeitura saberá que há algo errado ali, sendo necessário melhorar alguma coisa para evitar os acidentes. Ou, em determinado bairro, há maior índice de atendimentos por ocorrências com arma branca (facas, tesouras, martelos). A Prefeitura saberá que essa região está com um índice alto de tentativa de homicídio e poderá agir de forma a melhorar a segurança", esclarece o secretário-executivo.
Juiz de Fora ganhará oito ambulâncias
Das 39 ambulâncias que serão adquiridas pela Rede de Urgência e Emergência, seis unidades de suporte básico (USBs) e duas unidades de suporte avançado (USAs), conhecidas como UTI móvel, ficarão alocadas em Juiz de Fora. A rede prevê ainda a compra de um helicóptero para maior agilidade no transporte de casos mais graves. Estão sendo investidos cerca de R$ 30 milhões que irão beneficiar 1,6 milhão de habitantes.
De acordo com o presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Sudeste (Cisdeste) e também prefeito de Leopoldina, José Roberto de Oliveira (PSC), a rede será um dos maiores acontecimentos para a macrorregião Sudeste. "Para as cidades de menor porte, que não possuem hospitais com muito recurso, a rede tornará o atendimento mais ágil e seguro para a população. Assim, a chance de sobrevivência para os acidentados será maior", reforça. Leopoldina receberá uma USB e uma USA e contará com a ampliação do pronto socorro. A Casa de Caridade Leopoldinense está entre os 20 hospitais da rede e está classificada no nível III (ver quadro).
Trotes
O Cisdeste será responsável pelo gerenciamento da rede e vai organizar o atendimento de urgência e emergência dos 94 municípios da Macrorregião Sudeste. O consórcio já realizou dois seminários, nos meses de março e maio, para discutir os pontos de atenção da rede com médicos e diretores de hospitais. Um próximo seminário já está previsto, ainda sem data definida. O Cisdeste atualmente dispõe de sede na Rua Mariano Procópio 1.081, no bairro homônimo, região Nordeste de Juiz de Fora.
Uma preocupação é em relação aos trotes por telefone que ainda são um grande problema para o Samu. O secretário-executivo do Cisdeste, João Paulo Damasceno, ressalta a importância de se conscientizar a população sobre as funções do serviço. "A nossa intenção é iniciar campanhas nas escolas. Assim, as crianças estarão conscientes de quando e por que acionar o Samu e irão levar essa informação para dentro de casa."









