Estrutura falha impacta oaprendizado
O cenário de precariedade estrutural presente em algumas escolas da rede estadual em Juiz de Fora, denunciado em matéria publicada ontem na Tribuna, preocupa as comunidades escolares das unidades prejudicadas quanto ao impacto na qualidade da educação e na aprendizagem. Especialistas confirmam que o ambiente de ensino influencia na relação dos estudantes com o colégio, mas alertam que, mais essencial que a infraestrutura, são os recursos humanos disponíveis nas instituições.
O mais importante na escola é o professor e o aluno, afirma a diretora da Faculdade de Educação (Faced) da UFJF, Diva Sarmento. Mas, para ter um aluno de qualidade, tem que oferecer modelo de educação de qualidade, em todos os sentidos. Isso inclui a oferta de ambiente adequado, para que o estudante se sinta valorizado e encontre condições necessárias para utilizar o material didático e o conhecimento que lhe é disponibilizado.
Também professor da Faced, Maurílio Nogueira da Silva lembra que condições de higiene e segurança, essenciais para o bem-estar de professores e alunos, não têm sido observadas por algumas escolas. A coordenadora-geral da subsede do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) em Juiz de Fora, Victória Mello, ressalta que as falhas na infraestrutura persistem há tanto tempo que passaram a ser enxergadas como naturais pela população e comunidade escolar. A rede apresenta problemas tão graves, desde falhas pedagógicas à desvalorização do profissional, que a infraestrutura acaba sendo vista como mal menor, mesmo que não seja.
Para Maurílio, investimentos em merenda e infraestrutura podem ajudar crianças e adolescentes a se sentirem mais aptos aos estudos. O que a escola oferece impacta o estudante, positiva ou negativamente. A psicóloga Fernanda Martins de Oliveira concorda. Apesar de não serem determinantes, as condições estruturais podem interferir no aprendizado. Principalmente quando falamos de crianças, o ambiente faz toda a diferença e é capaz de estimular o lado prazeroso da educação.
Sinais de desvalorização
Segundo Fernanda, as denúncias – de que instituições de ensino funcionam com sanitários entupidos, sem papel ou sabonete e com problemas nas torneiras que impedem a lavagem das mãos, bem como deixam de ofertar merenda nutritiva ou que agrade os alunos – podem representar mais do que simples falhas. Se pensarmos que a alimentação de alguns se restringe ao que é ofertado na escola e que lá deve ser trabalhado o aprendizado em todos os sentidos, como haverá contribuição para a nutrição e para a prática de hábitos corretos de higiene?
Conforme Victória, os problemas representam um entrave tanto para os alunos quanto para os professores, que, muitas vezes, ficam impossibilitados de proporcionar um trabalho de melhor qualidade. As condições de precariedade apontadas simbolizam também a desvalorização do ensino pelo Governo.









