HPS pede ajuda de hospitais conveniados
O desabastecimento de medicamentos e insumos compromete o atendimento no Hospital de Pronto Socorro (HPS), porta de entrada da urgência e emergência da cidade, além de outras unidades de saúde, como a Regional Leste. Desde o final do ano passado, não é feita compra para a saúde pelo Município, levando essas instituições a pedirem empréstimo de material junto aos hospitais privados da rede conveniada ao SUS. Entre os remédios que aparecem na lista de solicitações, estão os antibióticos ciprofloxacino e clindamicina. Muitos injetáveis, além de fraldas descartáveis, estão sendo adquiridos por familiares de pacientes internados no HPS nas farmácias do entorno do hospital e há registros de falta de dipirona e de materiais básicos, como álcool, que resultou em recentes dificuldades durante uma cirurgia. O secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, garante que a situação começou a ser regularizada na última sexta-feira.
Nas duas farmácias localizadas na Avenida Rio Branco, a poucos metros do HPS, a informação é de que a compra de medicamentos para pacientes internados na unidade tem sido frequente. "Os parentes de pacientes têm procurado injeções de Voltaren, Benzetacil e até alguns medicamentos utilizados exclusivamente pelos hospitais. Os familiares chegam aqui muito indignados", revela Elton Honório, funcionário de uma das farmácias do entorno. O subgerente de outro estabelecimento comercial na região, Wagner José de Oliveira, confirma a procura por injetáveis e comenta: "Muitas pessoas entram aqui para comprar medicação para seus pacientes com o crachá de visitante do HPS. Isso tem ocorrido sempre", comentou. L., filha de uma idosa que há cerca de três meses deu entrada na unidade com fratura na clavícula, contou que, apesar da dor, a mãe não foi medicada prontamente. "Fui eu que tive que ir na farmácia buscar dipirona para ela. Fiquei revoltada."
Até a semana passada, a rede de saúde estava sem receituário azul utilizado nas unidades de atenção primária à saúde (Uaps). O documento é necessário para a compra de substâncias e medicamentos psicotrópicos, conforme portaria que normatiza a prescrição e dispensação de medicamentos. Por isso, "em caráter de excepcionalidade", a segunda via do Receituário de Controle Especial vinha sendo utilizada. De acordo com o secretário José Laerte, a encomenda do material foi feita em fevereiro, mas, só há uma semana, o receituário foi entregue por empresa de Porto Alegre (RS).
O desabastecimento, já denunciado pela Tribuna no mês passado, é confirmado pela ouvidora municipal de Saúde, Edna Aparecida Rodrigues. "A falta de medicamentos e insumos, como gaze e atadura, é generalizada e procede tanto no serviço de urgência e emergência, quanto na atenção primária. A rede de saúde está desabastecida desde outubro do ano passado. No dia 29 de abril, estive no HPS e identifiquei usuários orientados a comprar dipirona e com fraldas infantil e geriátrica para seus pacientes. O que a gente espera é que a Secretaria de Saúde resolva a questão e faça uma compra definitiva para a rede que já vem sofrendo com a falta de profissionais. Agora, quando consegue passar pelo médico, não tem o medicamento", critica Edna.
Queixas
O secretário executivo do Conselho Municipal de Saúde, Jorge Ramos, disse que o órgão tem registrado queixas nesse sentido. "Não há como negar ou esconder essa situação da falta de medicamentos e insumos. Em reunião com o secretário de Saúde, José Laerte, na semana passada, ele nos disse que a questão seria equacionada até o dia 15 de maio."
O secretário José Laerte afirma que o problema foi causado, porque o pedido de compra, iniciado em setembro de 2012, não foi finalizado. "No final de janeiro de 2013, esse problema nos foi trazido e acabamos descobrindo que o processo administrativo não estava montado. Todo mundo sabe que um processo de licitação em qualquer setor do serviço público leva em torno de dois a três meses. Terminamos o processo agora e falta apenas o empenho. Na sexta-feira (dia 10 de maio), foi entregue a Novalgina injetável, que realmente estava sendo uma dor de cabeça, entre outros remédios e insumos que estão chegando para as unidades de urgência e emergência", explica.
Quanto à falta de álcool, José Laerte reconheceu que há necessidade de melhoria de gestão: "É um absurdo chegar ao ponto de faltar álcool, mas já faltou coisas piores, como um dispositivo eletrônico para bisturi em janeiro. Custava menos de R$ 0,30 e ninguém tinha providenciado. Esse é um grande problema de gestão que temos de enfrentar, pois a nossa cultura é de administrar na crise. As pessoas só pedem ou nos comunicam quando o material está muito próximo de faltar, mesmo sabendo que o processo de contratação do serviço público é muito demorado."
Melhorias no hospital estão previstas
Entre as frequentes reclamações feitas às estruturas do HPS, estão as referentes ao elevador que serve aos três andares do hospital. De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), o equipamento está parado há pelo três meses, prejudicando o funcionamento da unidade, o desempenho dos funcionários e o atendimento aos pacientes. "Melhorias urgentes são necessárias, pois no local são atendidas pessoas em estado muito grave, sendo necessária a locomoção de maneira rápida. Mas o jeito tem sido subir e descer empurrando a maca ou outros materiais pesados", criticou o diretor financeiro do Sinserpu, Antônio Carlos de Sant’Ana.
Em meio a tantas demandas, na última terça-feira, a assessoria de imprensa da Prefeitura anunciou que o HPS passará por reestruturação. De acordo com as informações repassadas, está prevista a recomposição do quadro de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem. Além do corpo clínico, existe a previsão de reformas na estrutura física e correção no abastecimento de remédio e insumos. Quanto aos elevadores, no último sábado, foi publicado um edital de tomada de preço de empresas que fazem manutenção nos elevadores. A expectativa, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, é de que, até o final do mês, a situação esteja regularizada.









