Homem é encontrado morto em calçada do Mariano Procópio

Restos de fogueira, roupas chamuscadas e carrinho usado pelo catador estavam perto do cadáver
Um catador de material reciclável de 51 anos foi encontrado morto nesta segunda-feira (15), com queimaduras de terceiro grau em diversas partes do corpo, na Avenida Brasil, na altura do número 6.955, no Bairro Mariano Procópio, região central. Samu e Polícia Militar foram acionados por populares, que localizaram a vítima por volta das 14h. A causa da morte será apontada pelo laudo do IML, que deve sair em até 30 dias. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Ademir Fidelis teria sido visto por comerciantes e moradores na manhã desta segunda e estaria bem. O catador sofreu queimaduras no rosto, braços, mãos e tórax. Restos de uma fogueira, roupas chamuscadas e o carrinho utilizado pela vítima foram encontrados a poucos metros do corpo.
Há mais de dez anos, Julcelmo de Oliveira, dono de um ferro-velho no Bairro Santa Terezinha, região Nordeste, comprava materiais de Ademir. "Ele era muito tranquilo, não se envolvia em brigas. Se o queimaram, foi uma covardia." A irmã da vítima, que preferiu não se identificar, relatou que o catador, que tinha quatro filhos, deixou a casa da família há 20 anos e, esporadicamente, voltava para visitar os parentes.
Vulnerabilidade
A morte de Ademir Fidelis traz à tona a vulnerabilidade dos catadores de recicláveis e das pessoas que vivem nas ruas. De acordo com a presidente da Associação de Catadores de Juiz de Fora (Ascajuf), Janaína Silva, Ademir não frequentava a entidade, mas o caso deixa a categoria preocupada. Dos 20 associados, quatro vivem nas ruas. "Estamos expostos a tudo. Precisamos de mais apoio do Poder Público, de condições dignas para trabalhar. Infelizmente, os casos de violência são comuns."
Já a coordenadora do Centro de Referência para População de Rua (Centro Pop), órgão ligado à Amac, Alexandra Rossi, faz uma avaliação diferente. Ela nega registros de violência envolvendo moradores de rua, mas diz que a morte de Ademir acende o sinal de alerta. "Nosso olhar redobra de atenção em cima deste segmento, e é um caso que nos preocupa muito," afirmou.
A Secretaria de Assistência Social (SAS) informou que, no final de maio, foi assinado um termo de parceria com a Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (Sete) para que seja implantado no município um projeto de fomento à cadeia produtiva dos resíduos sólidos, com a inclusão socioprodutiva dos catadores de materiais recicláveis. A pasta afirmou que possui três unidades socioassistenciais que atendem a cidadãos com vivência de rua e migrantes em Juiz de Fora: o Centro Pop, o Núcleo do Cidadão de Rua e a Casa da Cidadania. Em julho, o serviço de abordagem à pessoa em situação de rua realizou 562 contatos durante o mês. Desse total, 260 aceitaram atendimento.









