Risco aumenta quando motorista esquece a seta
O uso da seta nos veículos, medida obrigatória pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), nem sempre é adotado pelos motoristas nas ruas de Juiz de Fora. A Tribuna esteve em seis pontos da cidade e comprovou que a prática tem sido esquecida, trazendo como consequência mais risco no tráfego, principalmente para os pedestres. O artigo 196 do CTB prevê como infração grave, com penalidade de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 127,69, a falta da sinalização luminosa com antecedência. Estatísticas da Polícia Militar e da Settra mostram que, de janeiro a junho deste ano, 36 multas foram emitidas por causa da infração. Em 2011, foram 47 notificações em igual período. Já no ano anterior, esse número chegou a 71.
O CTB prevê o uso da seta em quatro situações: no início da marcha, na parada do veículo, na mudança de direção e na alteração da faixa de circulação. Especialistas ressaltam que ligar a seta é fundamental para a segurança do pedestre, que se baseia na sinalização para atravessar as vias. A indicação também é essencial para que os outros motoristas se orientem em cruzamentos e ultrapassagens, por exemplo. "O número de notificações é considerado baixo se comparado à quantidade de automóveis de Juiz de Fora, mas é uma infração que sabemos que acontece bastante", explica o comandante do Pelotão de Trânsito da PM, tenente Jean Amaral.
O supervisor da fiscalização de trânsito da Settra, Paulo Peron Júnior, lembra que, além da sinalização luminosa obrigatória, o sinal de braço também deve ser utilizado no caso de paradas. Em locais em que a faixa de pedestre divide a travessia, o agente endossa a preferência do pedestre como agravante ao não uso da seta. "Se o motorista deixar de dar a preferência, além de não dar a seta, isso pode ser considerado como agravante, ou seja, o condutor pode ser autuado em duas infrações." Essa preferência, ressalta, também existe em locais onde não há faixa.
Flagrantes frequentes nas ruas
Nas últimas quinta e sexta-feiras, a Tribuna esteve em seis cruzamentos e verificou a imprudência. Os pontos escolhidos foram indicações de leitores e de instrutores de autoescolas. Na esquina da Avenida Governador Valadares com a Rua Afonso Pena, no Manoel Honório, a travessia é tarefa complicada. "Quem desce da Rua dos Inconfidentes e acessa a pista da direita da avenida, provavelmente vai entrar na Afonso Pena. Mas os motoristas acham que não devem dar a seta", diz o comerciário Lucas de Castro, 20 anos. Ele acrescenta que o problema se torna mais crítico em horários de pico. "O ônibus impede a visão, e as pessoas não sabem o que o motorista vai fazer." Para o pasteleiro Denílson Aristides, 56, além da falta da seta, o desrespeito à faixa também é constante. "Inclusive já vi uma pessoa ser atropelada por causa disso."
Na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Fernando Lobo, no Centro, o problema se agrava, já que o fluxo de pessoas é maior. "Não utilizam a seta e não respeitam a faixa, principalmente por volta das 18h", diz a funcionária de uma banca de revistas localizada no ponto, Marise Gusmão, 38. "É uma falta de educação no trânsito", enfatiza o dentista Alberto Rihan, 59.
Na esquina da Rua Padre Café com a Avenida Olegário Maciel, no Paineiras, a falta da seta reflete diretamente nas retenções. O taxista Paulo Sérgio Moraes, 61, destaca que, neste ponto, a sinalização é fundamental para alertar os outros motoristas sobre o caminho a seguir. "Você fica parado perdendo tempo na descida. Não sabe para que lado o carro vai." Peron observa que, nessa travessia, a seta é obrigatória para quem segue da Olegário para a Padre Café, já que, houve uma mudança de via. "A geometria da rua implica nessa continuidade de pista. Para quem segue a Olegário, é recomendável que use a seta para sinalizar aos condutores que descem. Pecar pelo excesso não é infração."
Além desses pontos, a Tribuna também esteve na esquina da Rua da Bahia com a Espírito Santo, na saída da ponte Nelson Silva para a Avenida Brasil e na Rua Carlos Otto com Avenida Sete de Setembro.








