Serviço de fitoterapia será retomado em JF
Adeptos da medicina alternativa encontram na fitoterapia uma forma de curar e controlar patologias a partir de medicamentos à base de plantas de uso medicinal. O acesso a este tipo de tratamento, porém, ainda é bastante restrito no sistema público de saúde, mas deve ganhar novos rumos em Juiz de Fora ainda em 2016. Após dez anos suspenso, o serviço será retomado em breve no Departamento de Práticas Integrativas Complementares (Dpic) da Secretaria de Saúde do município, somando aos já realizados no local, como a homeopatia e a acupuntura. Estas práticas visam a estimular os mecanismos naturais do corpo para a prevenção de doenças e recuperação da saúde, complementando o tratamento pela medicina convencional.
A volta do serviço à população acontece após o Ministério da Saúde destinar cerca de R$ 600 mil para custear projetos fitoterápicos em três municípios mineiros, entre eles Juiz de Fora. Para a cidade, o Ministério enviou R$ 252.175, que será aplicado em duas fases do projeto: R$ 40.800 em investimentos estruturais e custeio de equipamentos e R$ 211.375 para sua manutenção, compra de insumos para produzir os medicamentos. O projeto será desenvolvido em parceria firmada entre a Prefeitura Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria de Saúde e do DPIC, e a Faculdade de Farmácia da UFJF.
O primeiro passo, segundo a farmacêutica e coordenadora do Projeto de Fitoterapia 2016, Filomena Karla de Castro Monteiro, será a elaboração de um seminário para sensibilizar os profissionais, a partir da aplicação de questionários e comentários. “Vamos abordar aspectos como inserção da fitoterapia na atenção básica; utilização de plantas medicinais pela comunidade e profissionais habilitados para prescrição de medicamentos fitoterápicos. Os dados coletados farão parte de relatório final de avaliação do projeto”, explica.
Filomena Karla destaca que cinco espécies de plantas já foram escolhidas com base no perfil epidemiológico da população e em relato feitos por agentes comunitários de saúde que observaram o uso das plantas medicinais nas comunidades. São eles: Arnica montana, Baccharis trimera, Lippia alba, Passiflora incarnata, Salvia officinalis.
Na parte prática, ainda sem previsão de data, será realizada no próprio Dpic, na unidades de atenção primária à saúde (Uaps) e na Faculdade de Farmácia. A UFJF será a responsável por manipular os medicamentos, já elencados na Relação Nacional de Medicamentos (Rename), e disponibilizar à população posteriormente.
Cura a baixo custo
As preparações farmacêuticas fitoterápicas, na visão de médicos, trazem muitos benefícios para a saúde humana e são elementos eficazes para combater doenças infecciosas, disfunções metabólicas, doenças alérgicas e traumas diversos, com a vantagem do baixo custo. “A inclusão da fitoterapia na atenção primária pode resultar em maior adesão no tratamento pela comunidade, trazendo benefícios para a saúde, mas também de ordem econômica e cultural”, ressalta Neysa Mauricio Campos, médica e chefe do Dpic.
As práticas fitoterápicas e homeopáticas, segundo Neysa, são diferentes. A homeopatia busca tratar o paciente como um todo e não apenas a doença em si. Ela atua por meio de estímulos energéticos desencadeados por medicamentos homeopáticos, com o intuito de reequilibrar a energia vital dos pacientes. “A fitoterapia é diferente, sendo uma ferramenta terapêutica cuja racionalidade médica é mecanicista, ou seja, trata diretamente a doença. Ela pode ser utilizada por médicos de qualquer especialidade e apresentando menos efeitos colaterais que os medicamentos alopáticos. No entanto, deve ser usada com critério, pois, apesar de raro, pode apresentar efeitos colaterais”, alerta.









