Sobram vagas para mamografia em JF
O número de exames de mamografia realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em pacientes residentes em Juiz de Fora está abaixo do esperado. Por mês, são ofertadas 2.100 vagas, no entanto, a média de procedimentos efetuados é de 1.460, segundo informou José Celso Avelino Souza, chefe do Departamento de Apoio, Diagnóstico e Terapia da Subsecretaria de Regulação da Secretaria de Saúde. Em abril, por exemplo, foram 1.200 mamografias. A baixa produtividade dos mamógrafos, aparelhos que realizam exames para diagnosticar o câncer de mama, é uma realidade nacional. Por isso, o Ministério da Saúde iniciou uma auditoria nos mamógrafos de 723 municípios do país, sendo 131 em Minas Gerais, incluindo Juiz de Fora. O objetivo é verificar a funcionalidade dos equipamentos e promover uma distribuição mais eficiente. A conclusão deve sair até o fim do mês de julho.
Na cidade, as unidades que prestam o serviço são o Centro de Atenção à Saúde do Hospital Universitário (HU/CAS), com mil ofertas mensais; a Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes), com 500; e a Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer em Juiz de Fora (Ascomcer), que disponibiliza 600 mamografias por mês.
No HU/CAS, por exemplo, o exame é feito através do programa "Viva vida", do Governo do estado. Segundo dados fornecidos pelo coordenador do Centro Viva Vida, Edival Nacle Estefen, são disponibilizadas diariamente 98 vagas, mas o número de exames realizados por dia não chega à metade. Edival explica que há dois mamógrafos para os procedimentos, e ainda existe um terceiro que poderá ser colocado em uso, desde que haja demanda. "Também estamos tentando fazer um diagnóstico correto da situação. Suspeitamos que a meta estabelecida, em momento inicial, pode ter sido superdimensionada", disse.
O Centro Viva Vida atende Juiz de Fora e as microrregiões de Santos Dumont, São João Nepomuceno e Bicas, totalizando 37 municípios. A procura é relativamente baixa, principalmente por pacientes da cidade. "Pode ser que as pessoas não saibam da importância do exame e nem da oferta do serviço pelo SUS. O que nos preocupa é que pode ter muita gente desassistida", declarou Edival.
Na Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes), segundo informou a gerência da instituição, as vagas destinadas para Juiz de Fora também não são totalmente preenchidas. No mês passado, apenas 10% do total foram utilizados. "O profissional que realiza os exames fica ocioso e a agenda fica livre. Mas não há mamografia reprimida, que não é realizada", informou o diretor-executivo da Acispes, Sidnei Scalioni. A situação é diferente no atendimento aos 23 municípios consorciados atendidos pela Acispes. Ao grupo também são oferecidas 500 vagas e o preenchimento, por sua vez, é de 99%.
Já na Associação Feminina de Prevenção ao Combate ao Câncer em Juiz de Fora (Ascomcer) a demanda é equivalente a oferta, de acordo com a gerente Rosângela de Souza Nascimento. "Eu acredito que, além da facilidade de acesso, por sermos um hospital de câncer, as mulheres se sentem mais seguras na realização do exame", afirmou Rosângela.
Falta de informação pode prejudicar diagnóstico
O encaminhamento das pacientes para o exame de mamografia é feito na central de marcação do PAM-Marechal. A orientação, segundo a assessoria da secretaria de Saúde, é direcionar essas pacientes, em primeiro lugar, para o HU. Depois, para a Ascomcer e, por último, para a Acispes. Entretanto, ainda de acordo com a assessoria, muitas vezes a condução é feita de modo a facilitar a vida das usuárias.
Para o chefe do Departamento de Saúde da Mulher, o ginecologista Elídio Lana, o exame de mamografia na rede pública de saúde é eficiente e fácil de ser agendado. O que falta é preencher a demanda. "O Ministério da Saúde se baseou na quantidade populacional para definir a meta para exames de câncer de colo de útero. Falta ter essa definição para câncer de mama", alertou Elídio. O médico aponta que a baixa procura também pode estar relacionada à falta de informação das pacientes sobre a importância do procedimento. "Algumas mulheres reclamam que o exame é doloroso, que incomoda. Outras se negam a fazer com medo de dor. Mas, ainda assim, não acho que isso influencie a baixa demanda. Falta é conhecimento."
Indicação
De acordo com o Ministério da Saúde, devem fazer a mamografia mulheres a partir de 50 anos, em um intervalo máximo de dois anos, até completar 69. Mas, segundo o chefe do Departamento de Saúde da Mulher, algumas sociedades internacionais adotaram os exames em mulheres com idade a partir de 40 anos, sendo a mamografia realizada anualmente até o fim da vida. "Isto de deve à incidência crescente de câncer em todas as faixas etárias da população", disse o ginecologista.
Dados do Instituto Nacional do Câncer indicam que o risco estimado de câncer de mama é de 49 casos a cada cem mil mulheres. Em Juiz de Fora, no ano passo, foram 45 óbitos provocados pela doença.









