Tópicos em alta: cartas a jf / sergio moro / dengue / polícia

Manifestação juiz-forana cobra justiça por execução de músico no Rio

Protesto, que reuniu cerca de 150 manifestantes, também pediu basta ao genocídio negro e ao racismo estrutural

Por Tribuna

15/04/2019 às 20h47

Manifestantes subiram a Rua Halfeld levando faixas e 80 cruzes marcadas com nomes de pessoas negras vítimas de assassinatos (Foto: Marcelo Ribeiro)

Um ato em solidariedade à família do músico Evaldo Rosa dos Santos, 51, foi realizado em Juiz de Fora nesta segunda-feira (15). Evaldo foi executado pelo Exército no Rio de Janeiro, no domingo (7). Na ocasião, cerca de 80 tiros de fuzil foram disparados contra o carro em que estavam o músico e seus familiares. O protesto, que também pediu basta ao genocídio negro e ao racismo estrutural, reuniu cerca de 150 manifestantes, segundo a organização, na Praça da Estação, no Centro. A Polícia Militar não estimou o número de pessoas presentes.

Após discursarem, os participantes do ato subiram em marcha pela Rua Halfeld. Com faixas e 80 cruzes marcadas com nomes de pessoas negras vítimas de assassinatos, os manifestantes também panfletaram em pontos de ônibus da Avenida Getúlio Vargas e, ao longo do percurso, convocaram outras pessoas a participarem da manifestação.

“A ideia foi dizer para a sociedade que as vidas negras importam. Não é falácia dizer que no Brasil existe extermínio da população negra. Os dados apontam que a cada 23 minutos morre uma pessoa negra no país, e isso é estarrecedor. A juventude negra está morrendo, homens e mulheres negras estão morrendo. É uma questão que perpassa o racismo estrutural da nossa sociedade. Temos que nos organizar pra dizer que basta”, destacou a integrante do Fórum 8M – um dos organizadores do ato -, Lucimara Reis.

O conteúdo continua após o anúncio

Na opinião dela, o que acontece com maior frequência atualmente no país é um discurso que legitima “uma pena de morte” não institucional, na qual a grande maioria das vítimas é a população negra. Por esse motivo, ela cita que a retirada da possibilidade de uma investigação sobre supostos crimes cometidos sob a justificativa de legítima defesa é um retrocesso e, na prática, uma “licença para matar”.

Durante os discursos, a justificativa usada pelo Exército para a ação dos militares foi refutada. “80 tiros não são um engano. Sabemos que o genocídio negro é em função da cor de pele. Não podemos parar por aqui. Temos que organizar a sociedade civil, os movimentos, coletivos e sindicatos para que os assassinatos cessem e as manifestações continuem”, expôs um manifestante, em discurso durante o ato.

O cortejo seguiu até o Parque Halfeld, onde se concentrou novamente em frente à Câmara Municipal. No local, movimentos tiveram a oportunidade de realizar manifestações artísticas da cultura negra.

Receba nossa
Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail



Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia