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Gangues se enfrentam com tiros e pedradas


Por Guilherme Arêas

15/04/2011 às 07h00

Após conflitos, PM reforça segurança no local

Após conflitos, PM reforça segurança no local

Pedradas e disparos de tiros feitos em frente à Escola Municipal Olinda de Paula Magalhães assustaram a comunidade do Jardim Esperança, na Zona Sudeste, na tarde de quarta-feira. O confronto, que envolveu adolescentes deste bairro e do vizinho Retiro, aconteceu no horário de entrada dos alunos do turno da tarde, no mesmo dia em que a Polícia Militar revelou um crescimento da violência entre jovens e o aumento do enfrentamento das gangues rivais em Juiz de Fora. Os números foram divulgados durante encontro que envolveu ainda a Polícia Civil e outros órgãos públicos. Pelos dados da PM, o Centro é hoje a área com maior quantidade de conflitos, no entanto, leitores da Tribuna relatam que o mesmo problema é recorrente em várias regiões da cidade.

Para conter a briga das galeras, a PM teve que ser chamada no Jardim Esperança. Segundo relatos de moradores, tiros foram disparados pelos jovens, a maioria aparentando ter menos de 18 anos. Pedras foram atiradas e teriam acertado o telhado e vidraças da escola. Acuados, alguns pais de estudantes acabaram voltando com os filhos para casa. A confusão só terminou com a chegada da viatura policial. Dois adolescentes foram apreendidos, revistados e liberados. De acordo com a PM, uma busca foi feita na região, mas nenhuma arma foi localizada.

"Houve muita confusão, muita gente correndo. Todo mundo queria entrar na escola para se proteger", conta a mãe de um aluno. "Tem briga todo dia. Meninos jogam pedras nas crianças, e outros passam armados na porta da escola", relata outra. A direção do colégio garante que não há alunos envolvidos nas confusões, mas reconhece que a situação é insustentável. "A escola fica exatamente no limite entre os bairros Retiro e Jardim Esperança. Os adolescentes se armam com pedras, e cada grupo fica de um lado. Quando um avança o território do outro, leva pedrada. Nisso, nossos alunos, muitos menores de idade, chegam para estudar e acabam sendo ameaçados", relata a vice-diretora Débora Renault Medeiros, que diz conviver com a insegurança ao redor da instituição há cerca de 20 anos. Conforme a diretora Karla Palermo dos Santos, os últimos confrontos de gangues têm sido registrados no horário de entrada do alunos da tarde, por volta de 13h.

De acordo com o comandante da 135ª Companhia da PM, capitão Márcio Coelho, as rixas estão relacionadas, entre outros fatores, ao tráfico de drogas. Segundo ele, desde o ano passado, a companhia mantém uma viatura no horário de entrada e saída dos estudantes. No último confronto, no entanto, os policiais saíram para atender a um chamado no Granjas Primavera, momento em que os grupos rivais se enfrentaram.

Maior vigilância

Ontem dois policiais militares e dois guardas municipais garantiram a segurança dos alunos. Na próxima terça-feira, a PM se reúne com diretores, professores, pais e comunidade em geral para discutir o problema e apontar soluções para que a violência fique longe da escola. A assessoria de comunicação da Secretaria de Educação reforçou que não havia alunos da instituição envolvidos no confronto.

Conforme a direção, os estudantes são assistidos por projetos da PM, como o "Jovens construindo a cidadania" (JCC) e o "Programa educacional de resistência às drogas e à violência" (Proerd), além de iniciativas sociais da Prefeitura, como o "Gente em primeiro lugar", cujo eixo cultural é promovido pela Funalfa. O colégio também mantém parceria com a UFJF em programas esportivos. "A escola é uma referência para a comunidade, pois aqui são realizados casamentos, batizados, festas de aniversário e até a escola de samba do bairro ensaia aqui quando não tem aula", explica a vice-diretora.

PM aposta na proximidade com colégios

Há duas semanas, a Escola Municipal Olinda de Paula Magalhães disponibilizou um computador com acesso à internet para que os policiais possam usar o equipamento no registro de boletins de ocorrências que acontecem próximo à instituição. O objetivo é que a presença constante de policiais evite o confronto entre jovens. "É bom para a escola, para a comunidade e para a PM", avalia o capitão Márcio Coelho. Segundo ele, o mesmo esquema foi adotado em um posto de combustível na Avenida Brasil e um supermercado no Poço Rico. Também está sendo avaliada a criação de um Conselho de Segurança Pública (Consep) escolar.

Em outras regiões da cidade, as escolas também servem de pano de fundo para o enfrentamento de gangues de bairros rivais. De acordo com a diretora da Escola Estadual Patrus de Souza, Miriam Ramalho, os confrontos entre jovens dos bairros Centenário e Nossa Senhora das Graças, na região Nordeste, ocorrem quase todos os dias. "Só este ano, tivemos que chamar a Polícia Militar duas vezes. Normalmente, as brigas acontecem depois dos finais de semana; acho que em virtude dos bailes funk."

No Centro, região onde a PM reconhece a concentração de maior parte dos enfrentamentos, a expectativa gira em torno dos resultados que serão obtidos com a reativação do Grupamento de Orientação Escolar (GOE), no início do mês. "Nesses primeiros dias, a resposta imediata tem sido positiva, e não houve incidentes envolvendo os estudantes", comenta o sargento Robson Neves, da 30ª Companhia da PM, responsável pela região Central. Uma equipe com seis militares e uma viatura atuam com patrulhamento durante os intervalos de aulas, além dos horários de entrada e saída dos estudantes, visando à aproximação junto a toda comunidade escolar.