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Asfalto antigo, ruas irregulares


Por EDUARDO VALENTE

15/03/2015 às 07h00- Atualizada 15/03/2015 às 10h03

A pavimentação instalada em ruas e avenidas de Juiz de Fora é antiga e não suporta mais o intenso tráfego de automóveis que disputam espaço nas vias. Rachaduras no asfalto, excesso de remendos e irregularidades são encontrados em todas as regiões, inclusive em corredores de tráfego e acessos ao município. Levantamento divulgado pela própria Empav à Tribuna aponta que a grande maioria das vias da cidade teve o asfalto colocado há cerca de 30 anos, sendo que em algumas ruas, principalmente de bairros, o serviço foi feito há mais de 50 anos. Conforme a própria empresa pública, a vida útil deste material é de 14 anos, em média.

Segundo o diretor-técnico da Empav, Renê Vieira Filho, para recuperar toda a malha viária da cidade, estimada em aproximadamente 1.200 quilômetros, seria necessário investimento de cerca de R$ 500 milhões. No entanto, o recurso pode ser ainda maior porque precisaria envolver outras empresas e serviços públicos. Isso porque, para que o pavimento tenha vida útil próxima da média, é necessário não apenas colocar a massa asfáltica, como também investir em trabalhos de base e sustentação, com várias camadas. O problema é que as redes subterrâneas, principalmente de água, são antigas e, por isso, instaladas muito próximas da superfície, o que inviabiliza perfurações profundas. Desta forma, a qualidade da malha viária acaba comprometida, e a vida útil reduzida.

“As ruas foram sendo pavimentadas sem projetos de base e sustentação definidos. Você tinha o calçamento, e a Prefeitura colocava uma capa de asfalto, sem qualquer tipo de dimensionamento. Daí a cidade foi crescendo e o tráfego aumentando, assim como o peso dos automóveis e a capacidade de carga dos ônibus e dos caminhões”, explica Renê, acrescendo que, como o asfalto está deteriorado, a rede de água acaba sendo atingida, provocando vazamentos que fragilizam o piso. “Isso demanda intervenções da Cesama e colocação de remendos.”

Outra dificuldade apontada pelo representante da Empav está na necessidade de parar toda a via para que a recuperação correta seja feita. Como exemplo, ele citou a Rua Paracatu, na serra que liga os bairros Bandeirantes e Parque Guarani e também serve de acesso à MG-353. Esta foi uma das ruas visitadas pela reportagem, onde chamam a atenção grandes rachaduras e remendos em todo o trecho. “Precisaríamos escavar, construir a base de sustentação, colocar asfalto, molhar e bater a massa. Isso pararia a rua por vários dias, assim como é em uma estrada. Sem contar que, na parte baixa, até a entrada do Bandeirantes, existe o problema da rede de água. Então o planejamento precisa ser feito de forma que o trânsito não seja afetado. Se for feito à noite, precisamos ainda nos preocupar com a lei do silêncio.”

Manutenção do veículo

A pavimentação velha também é sinônimo de prejuízo para donos de automóveis. De acordo com Rafael Araújo, proprietário de um centro automotivo no Poço Rico, a busca por serviços de alinhamento, balanceamento, cambagem, entre outros, é diária e intensa. “No asfalto do jeito que está em Juiz de Fora, uma suspensão, que deveria durar cerca de 80 mil quilômetros, precisa ser trocada com 25 ou 30 mil. O mesmo acontece com o serviço de alinhamento. O fabricante recomenda que isso seja feito a cada cinco mil quilômetros, mas muitos condutores precisam buscar o reparo antes por causa do desgaste dos pneus e outros componentes de direção.”

PJF busca recursos no Estado e na União

Como não há recursos disponíveis para recuperar toda a malha asfáltica da cidade, a Empav trabalha identificando prioridades. De acordo com o diretor-técnico da empresa, Renê Vieira Filho, será concluído, nas próximas semanas, um trabalho iniciado ainda no ano passado que recuperou a pavimentação em 16 localidades. Foram atendidas ruas principais das regiões dos bairros Nova Era e Santa Cruz, Previdenciários, Nossa Senhora de Lourdes, Granbery, entre outros. Atualmente a atividade se concentra no Santa Luzia. “Foram mais de 200 mil metros quadrados de pavimentação, com investimento em torno de R$ 8,5 milhões. Desse total, cerca de R$ 5,5 milhões vieram dos cofres do Estado, aproximadamente R$ 2 milhões do Município e mais R$ 1 milhão do Governo federal.”

Para dar continuidade aos trabalhos, há projetos prontos na Empav para captação de recursos que beneficiariam cerca de 160 ruas em toda a cidade. Parte do valor necessário, R$ 40 milhões, chegaria por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), do Governo federal, mas houve um adiamento na liberação do montante. “Nosso projeto é de R$ 80 milhões, e estamos atentos às janelas financeiras (possibilidade de captação de novos recursos) que podem surgir.”

Além deste total, a Prefeitura ainda aguarda R$ 12 milhões de financiamento do programa Pró-Transportes, também da União. Este valor seria empregado em obras de qualificação e pavimentação de vias, mas o número de ruas contempladas não foi divulgado. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, o contrato que permitiria o benefício entrou no contingenciamento do Governo federal e, por isso, o recurso ainda é aguardado, sem prazo para chegar.