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Pedestres se arriscam em travessias no Bom Pastor


Por Eduardo Valente

15/03/2012 às 06h00

Entre Avenida Dr. José Procópio Teixeira e Rua Senador Salgado Filho, semáforos estão sem sincronia

Entre Avenida Dr. José Procópio Teixeira e Rua Senador Salgado Filho, semáforos estão sem sincronia

Dois dias após uma adolescente de 14 anos ter sido atropelada na Avenida Rio Branco (veja o vídeo), próximo à esquina com a Rua Senador Salgado Filho, no Bom Pastor, Zona Sul, outro acidente foi registrado pela Polícia Militar na região. Na madrugada de ontem, dois veículos bateram de frente na interseção com a Rua Morais e Castro. Um táxi que subia a avenida em direção aos bairros colidiu com um Ford Escort. Apesar de não haver feridos, o caso trouxe de volta a discussão sobre a segurança viária naquele segmento. Há nove meses, André Gorgulho de Abreu Lima, 14 anos, morreu após ser atropelado também no entroncamento com a Rua Senador Salgado Filho. No caso da jovem atingida esta semana por uma moto, ela permanece internada na Santa Casa, após ter fraturado a tíbia.

Desde que o filho foi morto na via, o consultor de empresas Manoel Emídio Moreira Lima, 55, faz levantamentos sobre possíveis falhas no trânsito da região. Um estudo realizado por ele em dezembro, e já apresentado à Settra, mostra, por exemplo, onde é mais difícil atravessar, além de denunciar imprudências de condutores, como o excesso de velocidade. Por outro lado, a secretaria informa que terá acesso amanhã a um estudo realizado por uma empresa vencedora de licitação pública que apurou as condições de tráfego naquela área.

No trecho onde os dois jovens foram atropelados, não existem semáforos. Embora um radar esteja fixado na descida da Avenida Rio Branco há cerca de 200 metros, Manoel Emídio, que mora em um edifício em frente ao local, garante que os carros trafegam em alta velocidade. "No mesmo trecho, existe um ponto de táxi, outro de ônibus e o cruzamento para os veículos que precisam entrar no bairro. Os moradores estão com tanto receio de atravessar naquela faixa que preferem se arriscar fora dela."

Situação de risco também foi observada pelo consultor de empresas no entroncamento com a Avenida Doutor José Procópio Teixeira, principal acesso ao Bom Pastor. Só existem semáforos até o meio da via. Na outra, as pessoas precisam se arriscar, e é muito perigoso." Outros flagrantes realizados por ele mostram semáforos para pedestres sem sincronia, pontos de ônibus em locais considerados inseguros e faixas de travessia próximo a curvas, onde a visibilidade é difícil tanto para pedestres como para motoristas. "O levantamento que realizei não tem qualquer pretensão política. Sou completamente apartidário e não tenho como objetivo criticar a administração pública. Minha esposa e eu só queremos que outras famílias não passem pela mesma situação que estamos enfrentando."

Estudo

Em julho do ano passado, a Settra anunciou que uma empresa terceirizada, vencedora de licitação pública, iniciaria um estudo para melhorar a fluidez e aumentar a segurança de pedestres em quatro pontos distintos da cidade: trevo do Lacet (entre as avenidas Independência e Doutor Paulo Japiassu Coelho), trevo do Teixeiras (próximo ao posto policial), trevo do Pórtico Sul da UFJF e trevo do Bom Pastor (entre a Avenida Doutor José Procópio Teixeira e a Rua Senador Salgado Filho). Na ocasião, a subsecretária operacional de Transporte e Trânsito do órgão, Roberta Ruhena, disse que os relatórios deveriam ser entregues em até seis meses. Embora o prazo já tenha vencido, as obras foram realizadas apenas no Pórtico Sul da UFJF. De acordo com a assessoria de comunicação da Settra, a empresa tem sido cobrada com frequência para concluir os levantamentos.

A assessoria também informou que as intervenções no Bairro Bom Pastor ocorrerão a curto, médio e longo prazo, após projetos e obtenção de recursos necessários. O pai do adolescente que morreu atropelado será convidado a conhecer o resultado da pesquisa.