Futuro do São Domingos será definido na 2ª feira

José Laerte e representantes do Governo federal se reuniram para discutir estratégias de ação
O futuro do hospital psiquiátrico São Domingos será definido na próxima segunda-feira. Em reunião com o Ministério Público, os sócios da unidade vão informar se conseguem ou não manter o atendimento oferecido aos cerca de cem pacientes. Nesta sexta-feira (15), o secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, informou que está mantida a proibição de novas internações no estabelecimento hospitalar e a suspensão do repasse de recursos, já que não existe um contrato formalizado entre o instituto e o município. O impasse preocupa os familiares dos pacientes e também os profissionais de saúde empregados no local. De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Juiz de Fora, Anderson Stehling, muitos funcionários estão até sem vales-transportes para o cumprimento do expediente.
A situação precária a que portadores de transtorno mental estão submetidos no São Domingos trouxe à cidade, esta semana, dois assessores técnicos da coordenação nacional de saúde mental do Ministério da Saúde. O objetivo da visita foi realizar um amplo levantamento da rede de saúde mental existente em Juiz de Fora, a fim de iniciar processo de reformulação na assistência oferecida em nível hospitalar e ambulatorial, que inclui a pactuação de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, como o Ana Nery e o Doutor João Penido. "Nós estamos fazendo uma leitura dos problemas para entender, de fato, como anda a rede do município que passará por uma grande reformulação na saúde mental. A assistência que é prestada hoje, notadamente nos hospitais psiquiátricos, precisa ser feita com mais qualidade e com serviços diversificados do espaço de internação que mantém usuários isolados e com internações de longa permanência. Estamos buscando construir um plano de ação a curto, médio e longo prazo", esclareceu Cristoph Surjus, assessor técnico do Ministério da Saúde. Já Rúbia Persequini, que também faz parte da assessoria do órgão federal, disse que o desenho da futura rede de atenção de saúde mental tem o apoio das três instâncias de poder em busca de melhores condições para essa população.
Censo
A primeira medida para identificar a real necessidade de Juiz de Fora em relação à criação de novos serviços substitutivos, como os Centros de Atenção Psicossociais (Caps) e os serviços de residências terapêuticas, será a realização de um censo, instrumento que permitirá revelar quem são os cerca de 300 pacientes internados hoje em Juiz de Fora, qual é o grau de autonomia de cada um, situação socioeconômica, nível de escolaridade e vínculo referencial de moradia. O trabalho, que começa na próxima semana, vai ser fundamental para nortear as estratégias de melhoria da rede e de mudança de cultura em relação ao paciente com doença mental. "Nós precisamos de clareza para saber, de fato, quantos leitos psiquiátricos a cidade precisa, para planejarmos a estrutura de rede do município de Juiz de Fora", afirmou Cristoph.
O censo será iniciado pelo São Domingos e incluirá o Instituto de Saúde Esperança e a Clínica Aragão Villar, esta última em vias de fechamento. "Precisamos ter uma leitura do que acontece nesses três hospitais para planejar um fechamento de forma responsável, porque não é do interesse do Estado, nem do município e do Ministério da Saúde deixar os pacientes desassistidos", finalizou Rúbia.









