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Entorno da linha férrea se transforma em lixão


Por Marina Sad

15/02/2013 às 07h00

Acúmulo de lixo pode ser encontrado na Rua Espírito Santo

Acúmulo de lixo pode ser encontrado na Rua Espírito Santo

Um lixão a céu aberto. Assim está o entorno da ferrovia em vários pontos do perímetro urbano, desde os bairros da Zona Sudeste até a Zona Norte. Na altura do Poço Rico, por exemplo, sacos de lixos, sacolas, copos, garrafas, vasilhas cheias de água, fraldas, absorventes e até pedaços de computador podem ser vistos nas proximidades das ruas da Bahia e Espírito Santo. A Tribuna flagrou pessoas jogando lixo na linha férrea e encontrou fezes espalhadas. Quem atravessa pelo local, sente o mau cheiro.

Segundo o autônomo Antônio José de Moura, que trabalha em frente a uma passagem de nível no Poço Rico, o problema é constante. "Eu mesmo já tirei o lixo daqui. Mas a gente recolhe em um dia e, no outro, o pessoal joga de novo." Ele reforça ainda que os muros de divisa da ferrovia são constantemente usados como banheiro público.

Um funcionário da MRS, que fazia vistoria na parte elétrica enquanto a reportagem estava no local, disse que a retirada da sujeira é periódica. "Mas a manutenção é difícil. A limpeza vai sendo feita e, quando se chega ao fim da ferrovia, o início já está sujo." Além disso, outro problema na área é a presença de usuários de drogas. "Sempre tem gente usando drogas por aqui", diz o funcionário.

 

Doenças

O engenheiro de transporte e meio ambiente Cézar Henrique Barra Rocha acredita que este é um problema de saúde pública. Ele ressalta o risco de o lixo acumulado trazer doenças transmitidas por ratos e mosquitos. "Estamos em uma forte campanha para tentar minimizar a dengue. Mas, desse jeito, não tem efetividade." O engenheiro acrescenta que, no caso de chuva, a água pode escorrer da ferrovia para as casas que estão em nível mais baixo. "O morador em contato com essa água pode pegar uma hepatite."

Barra lembra que o lixo pode acabar provocando acidentes na linha férrea. Ele também alerta que as invasões são irregulares e que o acesso de pessoas deveria ser restrito. "Onde há serviço de qualidade, a linha é toda cercada."

A assessoria de comunicação do Demlurb informa que nada pode ser feito, pois a responsabilidade é da MRS. Já a assessoria de comunicação da MRS afirma que, diariamente, três mantenedores realizam rondas para coletar o lixo depositado na plataforma ferroviária, além de realizar capina e roçada nas passagens de níveis. Um mutirão com objetivo de coletar entulho também é feito quinzenalmente. Para evitar a presença de mendigos e usuários de drogas, a companhia garante, ainda, que faz a recomposição de muro de vedação. A assessoria da Secretaria de Saúde garante que a pasta vai enviar uma equipe ao local para verificar a situação e tomar providências quanto aos objetos que podem se tornar criadouros da dengue.

A coordenadora do Centro de Referência da População de Rua, Alexandra Rossi, conta que a abordagem de moradores de rua e usuários de droga na linha férrea é sistemática. Além de acolhê-los, a equipe encaminha-os para a rede de saúde, tenta resolver problemas de moradia e mercado de trabalho, além de oferecer local para pernoite. "Mas todo o nosso serviço é realizado através do convencimento, e este é o grande desafio. Pedimos que a comunidade nos ajude, não forneça a esmola e nos procure." Para solicitar a presença de abordadores, é necessário ligar para 3690-7770.