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Ações estimulam cadastro de novos doadores de medula óssea

Em Juiz de Fora, inscrição pode ser realizada na Fundação Hemominas de segunda a sexta-feira, das 7h ao meio-dia; semana nacional é voltada para conscientização


Por Mariana Floriano, sob supervisão da editora Rafaela Carvalho

14/12/2021 às 21h17- Atualizada 15/12/2021 às 20h13

Teve início nesta terça-feira (14) a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, que tem como objetivo estimular novos cadastros no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), vinculado ao Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em Juiz de Fora, os interessados em fazer a inscrição podem se dirigir à Fundação Hemominas, de segunda a sexta-feira, das 7h ao meio-dia, para efetuar o cadastro. Para ser doador, é preciso ter entre 18 e 35 anos, ter boa saúde e não apresentar doenças infecciosas ou hematológicas. No momento do cadastros são coletados dados pessoais, como nome completo e endereço, que serão registrados no Redome, vinculado ao banco nacional de doadores.

Conforme explica a enfermeira da unidade de hematologia, hemoterapia e oncologia do Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Camila Vieira, após o cadastro no sistema, será coletada uma amostra de sangue com 5ml para fazer o exame HLA (Antígenos Leucocitários Humanos), que irá determinar as características genéticas necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente. “Após isso, caso ocorra a compatibilidade, será feito o contato com o doador, e este será instruído a comparecer a uma unidade hospitalar caso realmente queira fazer a doação”, explica.

No HU, a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, reúne um grupo de profissionais empenhados em divulgar a importância da realização do cadastro. “Nosso grupo de trabalho tem enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, dentistas, todos empenhados em conscientizar a comunidade interna do HU, assim como a externa, com visitas aos diversos setores e publicações em nossas redes sociais sobre a necessidade de ser doador de medula.”

Em parceria com a Prefeitura de Juiz de Fora, o Hemominas também realizou duas ações, nestas segunda e terça-feira, com o objetivo de mobilizar servidores da PJF e a população em geral sobre a importância de se cadastrar como doador de medula óssea.
De acordo com a enfermeira Camila, é muito importante que ocorram essas mobilizações, já que “são mais de 80 doenças que podem ser atendidas pelo transplante de medula, e muitas delas têm cura. Ao encontrar um doador compatível, a pessoa se renova de esperança, é mais uma chance para que ela possa viver.”

‘É como ser um super-herói’

Sara Careli, de 22 anos, passou há pouco mais de um mês por um transplante de medula óssea. Em março de 2021 ela foi diagnosticada com leucemia mielóide aguda, tipo de câncer do sangue e da medula óssea em que há um excesso de glóbulos brancos imaturos. Sara passou por cinco ciclos de quimioterapia até que os médicos indicassem o transplante de medula.

“Como é uma doença que pode ter recidivas, os médicos indicaram fazer o transplante para que eu não precisasse passar pela quimioterapia de novo”, conta. Para isso, Sara precisava de um doador compatível, caso contrário, havia riscos de a medula ser rejeitada. “Felizmente eu não precisei depender do banco de doadores. Eu tenho dois irmãos, um de 25 anos e uma de 15. Nós fizemos os testes de compatibilidade, e com o meu irmão deu 50%, mas com a minha irmã, a compatibilidade foi de 100%.”

A irmã, então, fez a doação, e o transplante foi considerado um sucesso. A medula óssea foi aceita após 27 dias e, atualmente, Sara realiza apenas consultas de monitoramento com os médicos. Sobre a importância de ser doador de medula, Sara afirma que o ato “é como ser um super-herói. Você é responsável por salvar a vida de uma pessoa. Felizmente, minha irmã foi compatível comigo, mas durante o tratamento eu conheci pessoas que tinham cinco irmãos e nenhum deles era compatível. E você vê nos olhos dessas pessoas a vontade de vencer, de voltar a viver, e encontrar um doador compatível é devolver a elas essa esperança”.

medula ossea
No caso de Sara, a doadora foi Karen, sua irmã com 100% de compatibilidade (Foto: Arquivo Pessoal)