PF investiga fraude em vestibular de medicina
A Faculdade de Medicina da Unipac (campus Juiz de Fora) está entre as 49 de todo o Brasil que podem ter sido vítimas de fraude no vestibular. Uma lista com os nomes das instituições foi divulgada ontem pela Polícia Federal e faz parte da "Operação Calouro", que constatou a atuação de grupos criminosos no processo seletivo, no período de um ano e meio, entre 2011 e 2012. Somente em Minas, foram nove instituições prejudicadas, todas particulares.
Uma nota no site da Polícia Federal informou que cerca de 70 mandados estão sendo cumpridos em diversos estados e no Distrito Federal. Apesar da instituição juiz-forana estar incluída, a PF da cidade não forneceu detalhes sobre o andamento das investigações e possíveis suspeitos. Os investigados podem responder pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsidade documental, lavagem de dinheiro e fraude em certame público.
Nos últimos vestibulares, o curso de medicina da Unipac teve uma média de 18 candidatos por vaga. Segundo o procurador da instituição de ensino, Danilo Esteves, o possível está sendo feito para colaborar com a polícia, que chegou inclusive a infiltrar agentes durante o último processo. "Essa apuração é de extrema importância para nós. Quem ingressa por meio de fraude é um mau estudante, e não queremos esse perfil aqui", contou.
Esteves ressaltou, ainda, que houve punições anteriores em situações semelhantes. "Tivemos um caso de um aluno que veio para Juiz de Fora transferido do Acre. Algum tempo depois, descobrimos que ele havia fraudado o vestibular naquele estado. Ele perdeu a vaga imediatamente, e o direito de prestar um novo concurso por um período de cinco anos. Existe ainda a expectativa de que as investigações apontem fraudes nos últimos dez anos. "Se descobrirmos que já existem médicos formados e que passaram em um vestibular fraudulento, eles poderão perder o diploma e o direito de exercer a profissão", explicou o procurador.
O processo seletivo do vestibular da Unipac é terceirizado. A responsável é a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), da UFMG, que coordena desde inscrição até o resultado final. Esteves informou ainda que não tem pretensões de alterar as metodologias aplicadas, já que tudo é feito com todo rigor e organização.









