JF tem menor índice de homicídio entre as 10 maiores de Minas

Juiz de Fora registrou, no ano passado, a menor taxa de homicídios entre os dez maiores municípios de Minas. Em todo 2010, a cidade teve 12,2 assassinatos para cada grupo de cem mil habitantes, totalizando 63 mortes violentas. Ainda assim, o número é maior do que o registrado em anos anteriores (ver quadro). Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Sangari, por meio do "Mapa da violência 2012 – Os novos padrões da violência homicida no Brasil", com base em informações do Ministério da Justiça e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Entre os dez maiores do estado, o município mineiro que apresentou a maior taxa foi Betim, com 56,9 mortes para cada cem mil habitantes. Entre todas as cidades de Minas, Ritápolis, no Campo das Vertentes, teve o maior número relativo de assassinatos: 121,8 por cem mil habitantes. Em números absolutos, no entanto, foram seis casos entre a população de quase cinco mil pessoas.
O estudo também apontou o que os técnicos classificam como "interiorização da violência", uma vez que as capitais têm registrado sucessivas quedas no número de homicídios (a Região Metropolitana de Belo Horizonte teve redução de 34% dos casos entre 2004 e 2010), enquanto que a situação tem preocupado cada vez mais as cidades do interior, que registraram aumento de 17,3% nas taxas em Minas, no mesmo período.
"Foi possível observar que, a partir de finais da década de 90, as grandes metrópoles do país deixaram de ser os motores impulsores da violência. Esse dinamismo trasladou-se para cidades do interior, onde a violência achou seu caldo de cultura favorável", concluiu o estudo coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de Pesquisas do Instituto Sangari.
Hipóteses
Sobre a interiorização da violência, o comandante da 4ª Região da Polícia Militar, coronel Ronaldo Nazareth, atribui como um dos fatores a disseminação das drogas pelas cidades do interior.
Embora os dados da PM apontem que a taxa de homicídios de Juiz de Fora é ainda menor do que a divulgada pelo estudo (6,02 de janeiro a novembro de 2011) – não entram nas estatísticas da PM, por exemplo, os casos em que a vítima de homicídio morreu no hospital após o encerramento do Registro de Eventos de Defesa Social (Reds) – o comandante sugere os motivos que levam a cidade a registrar baixos índices de homicídios: "Primeiro é a própria cultura conservadora do povo, o grande número de estudantes e idosos que vivem aqui e a excelente qualidade de vida da população. Além disso, Juiz de Fora é uma das poucas cidades onde, todos os meses, os chefes dos principais órgãos de segurança pública, como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército e Guarda Municipal, se reúnem para trocar informações e discutir estratégias integradas. Outro fator é a própria força policial. Como a maioria dos policiais são da cidade, há maior dedicação da tropa."
A intensificação do conceito de policiamento de proximidade, no qual a polícia chama a população a discutir os problemas de segurança, também foi destacado pelo comandante. Exemplo dessa política são as bases comunitárias que serão inauguradas no ano que vem nos bairros Benfica, Santa Cruz, Vila Olavo Costa e São Benedito.








