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Após tragédia, mãe que perdeu bebê é levada para penitenciária


Por Pablo Cordeiro (colaboração Marcos Araújo)

14/12/2011 às 11h51

Durante a tarde, bombeiros ainda apagavam chamas

Durante a tarde, bombeiros ainda apagavam chamas

Após depoimento na Delegacia de Polícia Civil, a mãe, 30 anos, que perdeu um filho de 9 meses em um incêndio ocorrido no final da manhã da última terça-feira (13), na Cidade do Sol, Zona Norte, foi autuada pelo crime de abandono de incapaz e, posteriormente, encaminhada à Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, segundo informou a assessoria da polícia. O inquérito para investigar o caso será aberto pela Delegacia de Polícia Civil de Orientação e Proteção à Família. No entanto, até a manhã desta quarta-feira (14), nenhuma informação havia sido repassada à imprensa sobre possíveis aspectos do caso. Ainda conforme a assessoria da polícia, informações sobre a causa do incêndio somente serão transmitidas após solicitação do delegado responsável pelo caso. A mulher foi autuada no artigo 133, parágrafo 2°, do Código Penal, pelo abandono das três crianças. A pena, sem agravantes, varia de quatro a 12 anos de reclusão.

No Instituto Médico Legal (IML), até o início da noite desta quarta, a informação era de que o corpo do bebê ainda não havia sido liberado para os familiares, já que necessitavam da certidão de nascimento para liberação. A família, que não possuía o documento, ficou de providenciá-lo. Sobre os dois irmãos do bebê, que também estavam em casa no momento do incêndio, mas conseguiram escapar, a Vara da Infância e Juventude informou, até o fechamento desta edição, que ainda não havia sido comunicada oficialmente pelo Conselho Tutelar Norte a respeito das crianças que ficaram sob a guarda provisória de uma tia paterna. De acordo com o coordenador do comissariado de menores, Maurício Gonçalves Alvim Filho, depois de oficializada, a Vara deverá despachar o caso para seu setor técnico, a fim de que uma sindicância seja realizada na residência da família, para verificar se existem condições necessárias para a permanência das crianças com a tia.
 

Caso

Além do bebê, outros dois filhos da mulher, de 2 e 4 anos, estavam na residência. Porém, com o início das chamas, eles conseguiram fugir por uma fresta da porta da casa. O Corpo de Bombeiros foi chamado pelos vizinhos. Segundo informações de um dos moradores próximos, a mãe do bebê esteve no local e, ao se deparar com a morte do filho, teria entrado em desespero e saído correndo. No meio da tarde, conduzida por familiares, ela se apresentou à delegacia de Polícia Civil. Ela confirmou ter deixado os filhos dormindo para ir buscar leite. "Não deixei nada aceso. Mas acho que minha filha mais velha pode ter encontrado a caixa de fósforo. É a única explicação para essa tragédia. Sinto uma dor terrível, que vai me acompanhar por toda a vida."

Ela ainda relatou que, depois que viu o filho morto, ficou desesperada e só pensou em procurar o marido, que é canoeiro e trabalha em um banco de areia, no Rio Paraibuna, na altura de Santa Terezinha. "Não estava fugindo, só queria avisar o meu marido." O Conselho Tutelar Norte foi empenhado para acompanhar os fatos. Segundo a conselheira Fernanda Evaristo, as duas crianças foram levadas provisoriamente para a casa de uma tia paterna.