Proliferação de pombos alerta sobre doenças

Prédio da Funalfa serve de abrigo para animais
A proliferação de pombos em Juiz de Fora, principalmente em áreas de praças e de concentração de imóveis antigos, traz preocupação, já que a espécie é considerada uma praga urbana, pelas doenças que pode causar. Como encontra abrigo e alimentação em abundância na área urbana, a ave deixa de ocupar o espaço silvestre e acostuma-se cada vez mais com a rotina dos grandes centros. No município, os pombos são facilmente vistos na área central, onde muitos ainda insistem em jogar comida para estes animais. A Tribuna encontrou pombos sendo alimentados na Praça da Estação e no Parque Halfeld. Nestes dois pontos, os prédios do entorno também servem de esconderijo para as aves.
O problema é que não existe um predador natural na cidade. "No ciclo urbano, preferencialmente o alimento para os gaviões são outros tipos de aves, e não o pombo. Como não há predador, não há equilíbrio, e a população de pombos segue crescendo. Com isso, podemos ficar vulneráveis", alerta o coordenador da equipe de pragas do Setor de Zoonoses, André Luiz Gonçalves, ressaltando, porém, que a maioria dos pombos não está contaminada. Segundo ele, a "ave é um animal nativo da Europa, trazido para o Brasil na época da colonização. São animais domesticados, mas que transmitem doenças. Sua forma infectante é pela poeira das fezes suspensas no ar, além das fezes úmidas e dos piolhos. Diante disso, as pessoas devem evitar o contato direto com a ave e suas fezes". Por lei, é proibido matar ou eliminar os pombos, porque trata-se de um crime ambiental. Todavia existem formas de controlar a proliferação. "As pessoas tratam o pombo como um símbolo, e isso esbarra na questão cultural, religiosa, mas é uma praga, e nós somos hospedeiros intermediários. Precisamos que a população se conscientize e não os alimente."
Há especialistas que acreditam que os pombos são piores que os ratos. Alguns costumam dizer que o pombo é considerado um rato voador. Algumas doenças provocadas pela ave são ornitose, salmonelose, histoplasmonese e criptococose. O aposentado Geraldo Magela Tavares, 86 anos, contraiu histoplasmose, uma doença que afeta o pulmão, após ter contato com fezes deste animal. "Tossia muito, tinha uma dor de cabeça constante, comecei a emagrecer e sentia muito desânimo. Fiquei assim durante oito meses, e ninguém descobria o que tinha. Até que um médico me pediu uma biopsia do pulmão, e aí foi constatada a doença. Fiquei seis meses tomando vários remédios até ir diminuindo. Contraí a doença quando fui montar um comitê de campanha em uma casa antiga. Em uma das salas, havia muitas fezes secas de pombos. Mandei limpar o lugar, mais fiquei perto olhando o serviço, não sabia que fazia mal e acabei aspirando aquele pó."
Praça da Estação
Comerciantes da Praça da Estação reclamam dos prejuízos provocados pelas aves. "Alguns clientes desistem de lanchar, porque não podemos fazer nada, tentamos afastá-los, mas alguns reclamam, enquanto outros vão embora quando percebem sua presença. Não sei o que fazer. Além disso, eles depredam o prédio, já que fazem um depósito de fezes", desabafa o proprietário Paulo César Meneguelli, 57 anos. "Os pombos espantam os clientes, e as crianças ficam assustadas. Estamos aqui há dez anos e percebemos um aumento no número de aves. Tem gente que compra pipoca para jogar para os pombos e tem aquelas que caem do carrinho, e a gente, de certa forma, acaba alimentando as aves com isso. Se continuar assim, a praça vai ser alvo de doença", teme a funcionária Michele da Silva, 26.
Além de evitar dar alimentos aos pombos, outra maneira de controlar o problema é com o uso de barreiras mecânicas. "É indicada a utilização de gel, uma espécie de graxa que pode ser colocada em calhas e telhas. Quando a ave posar, vai encontrar dificuldades e por isso não vai voltar. Mas essa técnica precisa ser aplicada constantemente, já que a calha está exposta ao tempo", explica o coordenador da equipe de pragas do Setor de Zoonoses, André Luiz Gonçalves Gonçalves.
A maioria não tem consciência do perigo
Outro ponto onde a presença dos pombos incomoda é o Parque Halfeld. De acordo com o vigia Darci Pereira Silva, 53 anos, que trabalha em um prédio no entorno, antigamente a situação era pior. "Antes havia mais pombos, mas as pessoas continuam a alimentá-los, jogando pipoca, milho, pão. Tem gente que traz comida de casa", relata. Para o balconista Rodolfo de Paulo Gonçalves, 30, a população não tem consciência do perigo que estas aves representam. "Não me incomoda e nem prejudica o meu comércio, mas a maioria das pessoas não tem consciência de que os pombos podem causar doenças. Elas deixam as crianças brincarem perto e nem ligam."
O imóvel do Paço Municipal, onde funciona o JF Informação e a Funalfa, em frente ao Parque Halfeld, sofre constantemente com a ação desta praga, mas é por meio de barreiras mecânicas que o problema é minimizado. "Os prédios que possuem muitos recortes como este, pela própria característica da arquitetura, servem de abrigo. Quando cheguei aqui, em 1998, havia três salas interditadas, porque estavam infestadas com fezes de pombo. Então, fizemos várias barreiras, tanto na parte interna como na externa. Nas varandas, chegávamos a retirar pás e mais pás de fezes. Na parte interna, conseguimos resolver a questão. Na área externa, usamos redes e arames para dificultar o acesso dos pombos, mecanismo que foi aprovado pelo patrimônio, já que não são visíveis. As salas que foram interditadas pela Vigilância Sanitária foram liberadas. Não melhorou 100%, mas 90% da situação que encontramos. Com isso, até a pintura está mais conservada. Demos uma melhoria acentuada nessa direção", afirma o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra. Para manter o foco da ação,uma vez por ano são realizadas a limpeza e a manutenção das barreiras mecânicas por uma empresa especializada.
Na Escola Municipal Professora Nubia Pereira Magalhães Gomes – Caic de Santa Cruz, Zona Norte, o problema com a ave foi minimizado a partir da conscientização dos alunos e da comunidade. "Orientamos as crianças para que, na hora do recreio, não deixem restos de biscoitos no chão. Existe uma educação ambiental, de sustentabilidade, para que elas joguem as coisas no lixo. Resto de comida atrai os pombos. Se não tiver, eles vão procurar em outro lugar", afirma a diretora Kátia Aparecida Campos. "Antes havia uns 30 a 40 pombos diariamente. O chão da quadra ficava tomado por fezes. Hoje a situação está controlada. Não acabou, mas houve redução de mais de 80%."
Em caso de dúvidas, a população pode ligar para o Setor de Zoonoses, nos telefones 3690-8212 ou 3690-7492.








